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17/06/2018 - APM participa de ação em apoio a refugiados

Em apoio ao acolhimento de refugiados que chegam ao Brasil, no dia 16 de junho, colaboradores da Associação Paulista de Medicina participaram de oficinas para a confecção de bonecas Abayomi durante o evento “Portas Abertas”, promovido pelo Centro de Referência para Refugiados da Caritas Arquidiocesana de São Paulo. Os materiais produzidos serão vendidos e os recursos revertidos serão doados à instituição.

“Além da doação de alimentos e kits de higiene, vimos que podíamos contribuir ainda mais com a causa, confeccionando essas bonecas. É uma iniciativa que também visa multiplicar o conhecimento. Cada funcionário que participou da oficina poderá levar para o seu trabalho ou sua casa o conceito e realizar a produção com seus colegas de trabalho, familiares e amigos”, diz a diretora de Responsabilidade Social da APM, Evangelina de Araujo Vormittag.

No idioma iorubá, o termo abayomi significa ‘encontro precioso’, um símbolo cultural de resistência. "Esse projeto se iniciou porque as mães africanas rasgavam retalhos de suas saias e criavam pequenas bonecas, feitas de tranças ou nós, que serviam como amuleto de proteção para acalentar seus filhos durante as viagens a bordo dos tumbeiros – navios de porte pequeno que realizavam o transporte de escravos", explica a assistente social da Caritas, Cristina Morelli.

As bonecas foram produzidas através de retalhos doados pelos próprios funcionários da APM, sendo confeccionadas apenas com cortes e nós, sem a necessidade de costura ou cola. “Além de nos sensibilizar com a causa dos refugiados, é um momento de refletirmos sobre o racismo em nosso país, uma questão forte que ainda, infelizmente, enfrentamos”, acrescenta Evangelina.

A meta da APM é confeccionar mil Abayomis que serão vendidas a um preço mínimo de R$ 10 em eventos socioculturais da Associação.

 

Refugiados

De acordo com dados da Organização das Nações Unidas, lançados em junho de 2017, mais de 65 milhões de pessoas no mundo são forçadas a se deslocar. Há 22,5 milhões de refugiados, sendo que mais da metade é de menores de 18 anos. Em termos percentuais, 55% desse grupo é oriundo de Sudão do Sul, Afeganistão e Síria.

Segundo a ONU, o deslocamento forçado atingiu em 2016 o seu mais alto registro. E os países em desenvolvimento, vizinhos aos conflitos, são os que mais recebem refugiados. São eles: Turquia (2,9 milhões), Paquistão (1,4 milhão) e Líbano (1 milhão).

“O Brasil, que é o quinto maior país do mundo, recebeu cerca de dez mil refugiados. Por isso, é importante destacar que o nosso território não está ‘sofrendo uma invasão de estrangeiros’, como a mídia costuma dizer.  Em 2017, o Brasil recebeu 33.865 novas solicitações de refúgio, enquanto a Alemanha – que é do tamanho do Mato Grosso do Sul - recebeu 186 mil”, exemplifica Cristina.

Refugiado é um conceito usado como referência ao indivíduo que enfrenta uma situação que ponha em risco a sua vida, como perseguição política, religiosa, étnico-racial, nacionalista ou conflito bélico, vendo-se obrigado a solicitar refúgio a outro país.

A Caritas - uma das 164 organizações-membros da Rede Caritas Internacional – com na defesa dos direitos humanos, segurança alimentar e desenvolvimento sustentável solidário – atua em áreas de emergências naturais e sociais, com campanhas e arrecadação de alimentos e roupas; incidência e controle social em políticas públicas; formações e capacitações; incentivos a projetos de desenvolvimento solidário sustentável, por meio da Economia Popular Solidária; além do Centro de Referência para refugiados de São Paulo, que recebe, orienta, assiste e defende o direito de pessoas em situação de risco.​

Fotos: Osmar Bustos

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