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13/08/2017 - APM realiza II Simpósio de Medicina de Família e Comunidade
Com o objetivo de articular forças representativas para qualificar o trabalho médico de atenção domiciliar, nos dias 11 e 12 de agosto, a Associação Paulista de Medicina sediou o II Simpósio de Medicina e Comunidade. A abertura do evento reuniu renomados representantes da saúde pública e privada, sociedades médicas e diretores da APM.
À mesa de abertura, o presidente da APM, Florisval Meinão, apoiou o propósito do evento, que foi ao encontro de uma das missões da entidade: aperfeiçoar o atendimento médico para a população. “Vivemos momentos difíceis na saúde pública, em especial. Temos um financiamento insuficiente com cenário bastante desfavorável, pois, nos próximos 20 anos, teremos as verbas para a Saúde congeladas, por força de uma medida provisória já aprovada. Com os custos em Saúde acima da inflação, nós médicos e a população, como um todo, teremos grandes desafios pela frente. E a busca de alternativas que possam garantir a qualificação do atendimento é fundamental.”
“Convidamos pessoas gabaritadas para conversar sobre como atuar em conjunto com o Departamento de Medicina de Família da Associação Paulista de Medicina, com a colaboração dos outros departamentos da entidade, para poder chegar ao objetivo final de ter um reconhecimento da atenção domiciliar como uma especialidade médica ou como área de atuação reconhecidas pelos órgãos de classe”, ressalta a presidente do Departamento de Medicina de Família da APM, Sara Turcotte, organizadora do evento.
De acordo com a médica, o Simpósio - que teve em sua programação palestras de pessoas histórica e tecnicamente implicadas no meio da atenção domiciliar, tanto nos âmbitos das especialidades médicas quanto nos dos órgãos de classe - reforça a necessidade de haver formação na área, seja pública ou privada.
“O Departamento de Medicina de Família sabe quão importante é a atenção domiciliar. Apesar de ser uma prática desde os primórdios da Medicina, sempre foi deixada em último lugar em termos de qualificação, de conhecimento e de reconhecimento, tanto nas faculdades quanto na própria corporação médica. Nos últimos 15 anos, a área passou por um processo de desenvolvimento no campo de habilidade, de conhecimento e de atitude; entretanto, não há uma epistemologia específica que a respalde”, explica.
“Temos a proposta de que os assuntos relacionados à atenção primária sejam desenvolvidos cada vez mais na APM. A Medicina de Família está se estabelecendo no mundo, inclusive em lugares em que havia maior resistência, como nos Estados Unidos. Por isso, é muito importante criarmos esforços para concretizar toda atenção de rede básica no estado que, infelizmente, se encontra muito defasada. Estou otimista que daqui a uma década teremos um padrão bastante diferenciado em termos de atenção médica no País”, acrescenta o diretor Científico da APM, Paulo Andrade Lotufo.
Avanços e desafios
Segundo Edmir Peralta de Albuquerque, coordenador pela Secretaria Municipal de Saúde do programa Melhor em Casa, ele foi criado pelo Governo Federal, que ampliou o atendimento domiciliar no Sistema Único de Saúde e rompeu com a dicotomia entre rede hospitalar e de atenção básica, além das unidades referenciadas. “Hoje, o objetivo principal na cidade de São Paulo é garantir a equidade para atender as pessoas segundo suas necessidades diferenciadas”, informa.
“Por outro lado, a falta de disciplina na graduação propicia modelos de atenção domiciliar erráticos, com aulas tutorias on-line, como se qualquer pessoa pudesse fazer esse tipo de atendimento. Há uma metodologia específica para atuar de maneira correta e que possui uma potencialidade muito grande quando feita por uma equipe multidisciplinar, e os núcleos de atendimento constroem um caminho muito mais terapêutico do que uma intervenção apenas pontual”, acrescenta o coordenador científico do Departamento de Medicina de Família da APM, Renato Walch Aurelio da Silva.
A abertura do Simpósio contou também com o presidente do Sinesad (Sindicato Nacional das Empresas Prestadoras de Serviços de Atenção Domiciliar à Saúde) e sócio-diretor da Home Doctor, Ari Bolonhezi; com o médico do Nadi (Núcleo de Atendimento Domiciliar Interdisciplinar do Hospital das Clinicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo), Fabio Leonel; com o diretor da Regional São Paulo da Sociedade Brasileira de Clínica Médica, Alvaro Pulchinelli Júnior; com a diretora de Responsabilidade Social da APM, Evangelina de Evangelina de Araujo Vormittag; e com o presidente do Comitê de Psicologia Médica da APM, Rubens Hirsel Bergel.
Os dois dias de evento foram organizados com as seguintes temáticas: “Criação de uma epistemologia específica para a prática médica domiciliar: história, caminhos e direção”; “O cuidador e a prática médica domiciliar: promovendo redes e qualidade na relação mecanismos e princípios da terapêutica de dor”; “Experiências exitosas de formação médica em atenção domiciliar”; “Projetos R3 em atenção domiciliar em MFC”; “Ventilação mecânica não invasiva: manejo do Bipap em atenção domiciliar”.
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O primeiro Simpósio do Departamento de Medicina de Família da APM, que aconteceu em 2014, teve o mesmo objetivo de discutir a qualificação da prática médica na esfera domiciliar. “Ficou claro, neste primeiro evento, que teríamos de continuar o trabalho, para unirmos pessoas que de fato se comprometessem a criar um campo - até de especialidade - parecido com os cuidados paliativos, reconhecido pelo Conselho Federal de Medicina”, relembra Sara.
Mais dois eventos posteriores sucederam a iniciativa, na Virada da Saúde em 2016, nos quais os cuidadores e a população foram ouvidos. “Tivemos a convicção naquelas conversas que precisaríamos trabalhar em rede com o cuidador, paciente e médico”, aponta a presidente do Departamento.
Após as experiências dos primeiros trabalhos conjuntos, o Departamento de Medicina de Família da APM criou um grupo de trabalho, com a reunião de médicos de várias especialidades e representantes dos departamentos científicos da Associação. “Descobrimos que não é apenas um anseio dos profissionais que atuam no estado de São Paulo a formação específica em atenção domiciliar, seja dentro da Medicina de Família, Clínica Médica, Geriatria ou Medicina Intensiva, mas dos médicos de todos os estados brasileiros”, finaliza.
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