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01/10/2018 - APM realiza III Encontro de Pacientes com Doenças Inflamatórias Intestinais

No dia 29 de setembro, o Departamento Científico de Gastroenterologia da Associação Paulista de Medicina realizou a terceira edição do Encontro de Pacientes com Doenças Inflamatórias Intestinais, para apresentar atualizações recentes na área, além dos exames e tratamentos necessários.

“Gostaria inicialmente de agradecer a APM por esse terceiro encontro. É uma entidade que não só representa de forma legítima a classe médica, mas que também tem a preocupação de prestar serviço para a comunidade. Nesse sentido, a nossa proposta é mostrar que, embora as DII sejam crônicas e, às vezes, intermitentes, com o tratamento adequado o paciente pode sim ter uma vida saudável”, disse a organizadora do evento, Rosângela Porto, ao fazer a abertura dos trabalhos.

Na ocasião, ela apresentou um estudo realizado pela Jornada do Paciente com DII em 2017, sobre a prevalência da doença, no Brasil. A doença atinge, sobretudo, mulheres (72%), com faixa etária entre 35-54 anos, correspondendo por 40% dos casos; em seguida, entre 25-34 anos, com 36% do público. Com relação às regiões, no topo vem o Sudeste, com 58% de incidências; em sequência, Sul (22%), Nordeste (12%), Centro-Oeste (6%) e Norte (3%).

Sobre os tipos, a doença de Crohn se destaca com 54% das inflamações; a retocolite ulcerativa vem em seguida com 38% dos casos. “Esses dados elucidam a importância do tratamento, como tomar o medicamento de forma adequada e procurar o médico quando necessário”, acrescenta Rosângela.

 

Exames

A palestrante Maria Luiza Queiroz ressaltou a necessidade de se realizar o acompanhamento do quadro clínico e exames complementares para a confirmação do diagnóstico das doenças inflamatórias intestinais. “Não há como se fazer uma avaliação isolada. Precisamos sempre analisar o quadro clínico do paciente – é o ponto mais importante – e solicitar um conjunto de exames: laboratoriais, endoscópicos, radiológicos e anatomopatológicos”, afirma a médica assistente da Clínica de Gastroenterologia da Santa Casa de São Paulo.

Embora seja um exame invasivo, a colonoscopia também é fundamental para a detecção das DII, pois permite orientar melhor o tratamento e acompanhar a evolução, informou a palestrante Maristela Gomes Almeida. “Essas doenças, na grande maioria das vezes, acometem o intestino delgado, o intestino grosso e o reto, objetos de estudo do exame. E quando a colonoscopia não atinge a parte observável do intestino, entram os exames de imagem”, explica a médica dos Hospitais Edmundo Vasconcelos e do Servidor Público Municipal.

Os exames de imagem enterotomografia e enteroressonância ainda permitem avaliar todo o intestino delgado. “Enterografia por tomografia computadoriza e por ressonância magnética apresentam performance superior na detecção e avaliação das DII e suas complicações. Possibilitam a avaliação de alterações parietais e extraparietais”, disse a palestrante Angela Caiado, médica do Fleury e pesquisadora no Instituto de Radiologia do HC/FMUSP.

 

Tratamentos

A terapia nas doenças inflamatórias intestinais visa reduzir a hospitalização, a necessidade de cirurgia e problemas sociais e de trabalho; cicatrizar a mucosa; e melhorar a segurança e tolerabilidade dos medicamentos”, frisou o palestrante Isaac Altikes, presidente da Associação Paulista para o Estudo do Fígado, ao abordar os benefícios da terapia biológica demonstrados em estudos.

O presidente do Departamento Científico de Gastroenterologia da APM, Marcelo da Silva Pedro, palestrou sobre o tratamento cirúrgico eletivo, que visa aliviar os sintomas e, ao mesmo tempo, preservar o comprimento intestinal e a função absortiva.

A médica Cinara Oliveira, cirurgiã do aparelho gastrointestinal, esclareceu que as cirurgias em situações de urgência ocorrem quando há obstruções e perfurações intestinais, quadros infecciosos graves e abscessos intra-abdominais e peri-anais.

Por fim, a adesão clínica correta, segundo Wilson Catapani, professor titular da Faculdade de Medicina do ABC e da Faculdade de Medicina do Centro Universitário São Camilo, consiste em tomar a medicação orientada, seguir dietas, executar mudanças no estilo de vida e acompanhar as recomendações médicas.

 

Participantes

O analista fiscal Rafael de Sales Sousa, de 26 anos, recebeu o diagnóstico de doença de Crohn em novembro do ano passado. “Tive muito mal-estar no início. Depois de duas internações, conheci uma equipe médica que entendia o meu caso, e foi aí que recebi a confirmação da doença. Mas já estava numa situação bastante complicada, tive de fazer uso de medicamentos fortes para controle da inflamação”, relata.

 

Rafael permanece afastado do trabalho. “Não estou no período de remissão porque ainda tenho algumas crises, mas não como antes.” Alimentação balanceada, tranquilidade e uso de imunobiológicos têm contribuído para a melhoria do quadro. “E encontros como esse ajudam a entender mais a doença, tirar dúvidas sobre a medicação, efeitos e tempo de evolução”, acrescenta.

 

Este é o segundo encontro que a recepcionista Greice Regina Monteiro, de 42 anos, participa na APM. Ela recebeu o diagnóstico da doença de Crohn quatro anos atrás. “Foi muito difícil a detecção da doença, os exames eram imprecisos. Depois da colonoscopia e exames complementares, foi descoberta a bactéria H. pylori.”

Para ela, hoje é mais fácil lidar com a inflamação. Além de participação em palestras, é uma das blogueiras do Crohnistas da Alegria. “Trocamos muito conhecimento com os diversos depoimentos, é um aprendizado”, finaliza.

 

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Fotos: Marina Bustos

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