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15/02/2018 - APM repudia prisão de diretores da União de Médicos da Turquia

Onze diretores da Associação Médica da Turquia (TTB – Türk Tabipleri Birliği) foram presos no fim de janeiro por terem argumentado em um comunicado público que "a guerra é um problema de saúde pública". As críticas se referiram sobretudo à ofensiva militar turca contra os curdos em Afrin, no Norte da Síria. O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan – cujo governo tem apertado a repressão aos críticos da ação na Síria -, acusou o grupo de médicos de serem "simpatizantes terroristas".

Conforme divulgado pela Agência EFE no dia 5 de fevereiro, as autoridades da Turquia detiveram nas últimas duas semanas 573 pessoas por protestar, nas redes sociais e nas ruas do país, contra a intervenção militar turca em Afrin. E segundo denunciou a Associação de Direitos Humanos da Turquia (IHD), os detidos podem passar até 15 dias antes que o juiz decida por sua libertação ou prisão preventiva.

Em comunicado oficial, a Associação Médica Mundial (WMA – World Medical Association) afirmou apoiar os colegas turcos em suas declarações públicas de que a guerra é um problema de saúde pública. “A WMA tem uma política clara de que os médicos e as associações médicas nacionais devem alertar os governos sobre as consequências humanas da guerra e dos conflitos armados. A Associação Médica da Turquia tem o dever de apoiar os direitos humanos e a paz, e estamos alarmados com as últimas prisões e a queixa criminal”, diz a nota.

O texto segue informando que a ação é um ataque à liberdade de expressão, consagrada no artigo 19 do Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos, que a Turquia ratificou em 2003. "Solicitamos às autoridades turcas que libertem imediatamente os médicos líderes e acabem com a campanha de intimidação. Instamos as associações médicas nacionais em todo o mundo a defender o pleno respeito das obrigações humanitárias e de direitos humanos da Turquia, incluindo o direito à saúde, a liberdade de associação e a expressão."

A Associação Médica da Turquia também denunciou em nota que teve computadores e HDs apreendidos na ação militar do dia 30 de janeiro, o que pode prejudicar alguns serviços indispensáveis como o treinamento de especialistas. Os computadores de dois membros da Associação que atuam como médicos de família também foram confiscados nos Centros de Saúde onde trabalham, o que pode impedir o acesso a informações relacionadas a vacinas e monitoramento de gravidez. De acordo com a TTB, a apreensão de discos rígidos sugere que a investigação pode dirigir-se para uma intenção fora do seu propósito e alcance originais.

 

Entenda o conflito

De acordo com reportagem do jornal O Globo, o governo turco considera a milícia curda que atua na Síria contra o Estado Islâmico - Unidades de Proteção do Povo (YPG) - como uma extensão do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), que há décadas é inimigo das forças militares turcas dentro da Turquia - em busca da criação de um Estado curdo nas regiões onde a etnia é maioria. A YPG é a principal componente da coalizão árabe-curda das Forças Democráticas Sírias (FDS), que controlam Afrin e Manbij, na Síria.

Com a intervenção militar turca em Afrin, eleva-se o risco de um confronto militar entre Turquia e Estados Unidos, que apoiam abertamente os curdos no combate contra o Estado Islâmico na Síria. Em março passado, o governo americano enviou soldados para realizar treinamentos e impedir confrontos entre as forças turcas e rebeldes apoiados pelos EUA.