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01/06/2021 - Defesa Profissional: APM, Unimed e Simesp debatem desafios da saúde suplementar
Na última segunda-feira (31), a Associação Paulista de Medicina (APM) promoveu um encontro com representantes da Central Nacional Unimed, da Federação das Unimeds do Estado de São Paulo (Fesp) e do Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp). José Luiz Gomes do Amaral, presidente da APM, foi o anfitrião da reunião, que debateu os desafios dos médicos na saúde suplementar.
“Vamos discutir o cenário atual do setor suplementar face à verticalização que assistimos e ao impacto que isso tem na atenção à saúde. Entendemos que o sistema Unimed é, e sempre foi, uma referência na defesa do médico. Por isso, nossa Diretoria de Defesa Profissional entendeu que fosse oportuno nos reunirmos para discutirmos e traçarmos estratégias em conjunto”, introduziu.
Marun David Cury, diretor de Defesa Profissional da APM, ressaltou na sequência que a entidade e a Associação Médica Brasileira estão lutando pela união do movimento médico nacional. “Observamos o avanço de planos verticalizados, com preços acessíveis, mas sem qualidade pelo interior paulista e pelo Brasil. Como consideramos que a Unimed é um reduto da Medicina de qualidade, com colegas qualificados, entendemos que é preciso trabalhar em conjunto”, declarou.
Unimeds
Eduardo Ernesto Chinaglia, presidente da Fesp, foi um dos participantes do encontro. Ele lembrou que o sistema Unimed, desde sua fundação, é vitorioso, mas reconhece que para enfrentar os desafios atuais, há necessidade de uma reestruturação e de novos produtos – sempre com o mesmo objetivo: fortalecer e gerar demandas para os médicos. “Algo que conseguiremos com o apoio dos cooperados.”
Na sequência, ele apresentou alguns dados sobre a Federação. Ela é composta, por exemplo, de 70 singulares e de seis intrafederativas, tendo mais de 500 mil beneficiários e em torno de 700 colaboradores. Os cooperados são aproximadamente 20 mil. Em todo o estado, o sistema tem 25% de market share.
Sobre iniciativas que sirvam para a Unimed se posicionar neste novo mercado, Chinaglia afirmou que há algumas unidades que estão com planos low cost sendo testados. Além disso, mencionou que é necessário que haja coordenação com diferencial de gestão e aperfeiçoamento no relacionamento com clientes e prestadores, fortalecendo essas relações.
“Também estamos atuando com planos segmentados junto às grandes contas, que possuem muitas vidas. Eles podem ser personalizados em parceria com a empresa, algo que não tínhamos antes”, completou o presidente da Fesp.
Na sequência, Luiz Paulo Tostes, presidente da CNU, lembrou que todo o sistema está unido por um propósito comum: o de levar a Unimed adiante. “Há 18 meses, estamos discutindo isso e investindo todas as nossas forças e energias para que nós, médicos, possamos atender nossos pacientes de maneira satisfatória.”
Na sua avaliação, há menos de uma década, bastava à Unimed atuar como uma operadora. Hoje, o cenário é muito distinto por conta da evolução das tecnologias e da própria configuração do trabalho médico, que tem sido alterada fortemente nos últimos anos. “Em determinado momento, percebemos que precisávamos voltar às origens. A nossa é prestar serviços. E pensamos o que, à nossa volta, representava valor para os médicos e para os clientes. Percebemos que cuidar é nossa grande vocação. Como cooperativa, estamos concentrados nisso, para não sermos algo burocrático e distanciado. Temos que pensar no mercado, sim, mas sempre com a cabeça de médico.”
Entre as principais mudanças apontadas no cenário, Tostes lembrou que cada vez mais surgem intermediários na relação médico-paciente, que outrora foi direta. Um dos intuitos do sistema é, por meio de tecnologia, aproximar o profissional da população atendida. Hoje, nacionalmente, a Unimed conta com mais de 1,8 milhão de beneficiários, com expectativa de atingir 2 milhões até o fim do ano. São, ao todo, mais de 1.700 colaboradores e 323 sócios. Esses números a colocam como a sexta maior operadora do País. “Não existe Central Nacional sem as singulares. E não existe singular sem os cooperados”, completou.
Visão sindical
Segundo Victor Vilela Dourado, presidente do Simesp, no mercado de trabalho atualmente entram em choque a idealização da atuação liberal do médico e a realidade proletarizada da profissão, uma vez que o médico tem cada vez menos propriedade sobre o seu local de trabalho.
Conforme os dados que apresentou, há um recorte muito diferenciado entre gerações de profissionais de Medicina e as formas de emprego. Entre os médicos até 35 anos, 71,4% atuam de maneira assalariada (seja por salário mensal, seja por hora trabalhada). Esse índice é de 55,1% na faixa etária de 35 a 60 anos e de 43,2% entre os médicos acima de 60 anos.
Parte dessa equação também se deve ao grande contingente de profissionais. “Entre 1992 e 2005, o número de profissionais de nível superior e técnico se expandiu muito. Os dentistas e os médicos, por exemplo, cresceram em 72%. Já a quantidade de enfermeiros teve crescimento de quase 180%.”
Dourado também lembrou que o mercado ainda diferencia mulheres e homens. Em primeiro lugar, há mais homens (61,7%) do que mulheres (38,3%) que possuem consultórios. Por consequência, elas também são mais remuneradas por salário mensal.
O presidente do Sindicato reforçou ainda que a entrada de capital estrangeiro na assistência de Saúde, em 2015, acelerou o processo de centralização de capitais e de precarização dos vínculos de trabalho – algo intensificado com a reforma trabalhista, que permitiu a terceirização da atividade fim. Algo que leva, inclusive, à quarteirização.
“A tendência dos próximos anos é de mais precarização e de pejotização, com avanço do capital internacional para o interior. No Simesp, tentamos combater as formas precárias de vínculo. Observamos vários profissionais sem nenhuma garantia trabalhista, sem poderem ficar doentes, levando calotes e com dificuldades de negociar com patrões”, completou Dourado.
Após as exposições, os convidados responderam algumas perguntas e se comprometeram a realizar novas reuniões com o intuito de, a partir desse alinhamento inicial, discutir ações concretas para garantir aos médicos condições dignas de trabalho na saúde suplementar.
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