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17/12/2020 - Diretor da APM e conselheiro do Cremesp coordena câmara técnica sobre vacinação
Mesmo com amplo programa de imunização, que disponibiliza vacinas gratuitamente à população por meio do Sistema Único de Saúde, o Brasil tem registrado quedas acentuadas na taxa de cobertura nos últimos anos, com risco de doenças graves ressurgirem.
Por conta disso, o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp), através de resolução em plenário, instituiu uma câmara técnica para debater o tema e ampliar políticas educacionais sobre a importância dos imunológicos. O grupo é coordenado pelo diretor de Previdência e Mutualismo da Associação Paulista de Medicina, Paulo Tadeu Falanghe, também conselheiro do Cremesp.
“De 1996 para cá, houve uma redução significativa de pessoas vacinadas. Para ter eficácia imunológica, pelo menos 90% da população precisa ser vacinada. Hoje, estamos na faixa de 65% de aderência, resultando em uma queda muito preocupante, isso sem falar que, neste ano, tivemos a pandemia de Covid-19. Com receio da população de procurar atendimento em uma unidade de Saúde, muito provavelmente houve uma piora nos quadros”, ressalta o responsável pela Câmara Técnica Vacinação e Imunização do Conselho.
Dados do Programa Nacional de Imunizações, criado em 1973, apontam que, entre 1980 e 1995, o Brasil teve um aumento expressivo nas taxas de vacinação estáveis, ano a ano. Em 2016, entretanto, registrou a menor taxa de imunização dos últimos 12 anos, com 84% no total, contra a meta de 95%, recomendada pela Organização Mundial da Saúde.
Atualmente, especialistas afirmam que a queda nas coberturas vacinais com o novo coronavírus foi sentida no mundo todo. De acordo com a OMS, 125 campanhas foram adiadas no primeiro semestre do ano. No Brasil, a maior cobertura vacinal atingida no calendário infantil, até outubro de 2020, foi a pneumocócica, com 71,98%. Em 2019, essa mesma vacina chegou a 88,59% do público-alvo.
Fake News
De acordo com o diretor de Comunicações da APM, Everaldo Porto Cunha, também conselheiro do Cremesp e que integra a Câmara Técnica, as notícias falsas e distorções de fatos também reforçam o movimento antivacinas, uma ameaça à saúde global. O grupo, sensível a essa realidade, terá atuação no sentido de fiscalizar e denunciar notícias distorcidas.
“Muitas vezes, nos deparamos com grupos em mídias sociais fomentando informações equivocadas, favorecendo as baixas taxas de imunização. Então, a câmara está apta a receber essas denúncias”, reitera Falanghe.
Ele reforça ainda o papel de médico de orientar familiares e pacientes sobre a importância dos imunológicos para o controle e erradicação de surtos e epidemias de doenças fatais. “O médico precisa ter esse comportamento, principalmente, os pediatras e sua relação com a puericultura. Infelizmente, muitos profissionais não falam sobre vacinação com os pais ou responsáveis, e isso implica gravemente na saúde da criança”, alerta o diretor de Previdência da APM.
Papel educativo
Esclarecer a população em geral sobre a importância da cobertura vacinal, por meio de campanhas educativas, será outra função designada à câmara técnica. Ela é formada por profissionais da sociedade médica paulista, estudiosos em imunológicos. Foi criada em novembro último, frente à polêmica em torno dos imunológicos para o enfrentamento da Covid-19.
A primeira reunião ocorreu no dia 16 de dezembro. Além de Falanghe e Porto, integram o grupo os conselheiros do Cremesp Mario Mosca Neto e Paula Yoshimura Coelho, e os convidados Helena Keico Sato, Marco Aurelio Palazzi Safadi, Mario Roberto Hirschheimer, Melissa Palmieri, Renato de Avila Kfouri, Eitan Berezin e Marta Heloisa Lopes.
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