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12/07/2017 - Diretor da APM participa de júri simulado do caso MMDC-32

 

Jorge Michalany, fundador do Museu da APM que foi cabo enfermeiro dos revolucionários constitucionalistas, foi homenageado por Guido Arturo Palomba

 

O diretor Cultural da Associação Paulista de Medicina, Guido Arturo Palomba, na qualidade de médico e perito forense, foi uma das testemunhas do júri simulado do caso MMDC – iniciais dos nomes dos revolucionários paulistas mortos pelas tropas do governo de Getúlio Vargas em 1932. A encenação – que teve a participação de grandes nomes do Direito – contou com participantes vestidos a caráter, carros antigos e armas do período constitucionalista. O evento aconteceu na sede do Tribunal de Justiça de São Paulo, em 7 de julho.

 

Antes do início do julgamento, foi realizada uma teatralização na Praça da Sé rememorando o dia 23 de maio [hoje nome de uma das principais avenidas da capital paulista] de 1932, quando os estudantes Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo foram mortos e mais outros 11 ficaram feridos durante manifestação contra Vargas. Os manifestantes eram contra as ambições centralizadoras do governo provisório e exigiam a realização de eleições para a elaboração de uma Assembleia Constituinte.

Em seguida, no júri, o papel de juiz foi designado ao presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Paulo Dimas de Bellis Mascaretti; a acusação foi feita pelo deputado estadual Fernando Capez, ex-integrante do Ministério Público de São Paulo; e a defesa ficou a cargo do advogado e conselheiro federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) Luiz Flávio Borges D’Urso. Para a encenação das testemunhas, além de Guido Palomba, participaram o jornalista Percival de Souza, o deputado estadual coronel Alvaro Batista Camilo (que representou o chefe da Força Pública) e a delegada de polícia Elisabete Sato (como a responsável pelo inquérito policial).

 

“Vi todos os detalhes pormenores e cheguei a algumas conclusões, até porque foram surpreendentes para mim. Estudando a trajetória dos tiros, os laudos necroscópicos e os boletins de ocorrências, entre outras cópias do processo original analisadas por mim durante dois dias, identifiquei pelo menos dois atiradores distintos. Mesmo a defesa dizendo que eram tiros a esmo, disparados contra todo mundo, as minhas conclusões gerais apontam que foram tiros propositais. Um dos atiradores titulei de covarde, porque atirava pelas costas - da cintura para baixo; o outro de furioso, porque atirava em regiões vitais - da cintura para cima”, afirma Palomba.

Após os debates, os votos dos 12 jurados foram recolhidos e, por 8 a 4, a Ditadura Vargas foi condenada pela morte dos quatro paulistas, Dráuzio, Camargo, Miragaia e Martins. “Como perito, tenho a impressão que o meu depoimento foi determinante”, acrescenta Palomba.

 

Homenagem ao Dr. Jorge Michalany

O fundador do Museu de Medicina da APM, o professor Jorge Michalany, falecido em 9 de julho de 2012, foi cabo enfermeiro na Revolução de 1932. Guido Arturo Palomba prestou uma homenagem ao ex-médico professor titular de Anatomia Patológica da Escola Paulista de Medicina (Unifesp) e da Faculdade de Medicina da Unoeste, patologista do departamento de Profilaxia da Lepra de São Paulo e membro emérito da Academia de Medicina de São Paulo.

“Eu tive a honra e a felicidade de levar para o evento o capacete, que hoje faz parte do museu da APM, que pertenceu a nosso ilustre e grandioso Michalany. Como ele também foi meu professor, queria de alguma forma mostrar se aprendi bem suas lições. Acredito que sim porque a ditadura catastrófica de Vargas foi condenada”, agradece.

Por fim, o diretor da APM destaca a honra de ter sido convidado a integrar o júri simulado. “Foi um dos grandes prestígios que recebi na vida. Primeiro, por fazer parte de um grupo extremamente seleto, com renomadas personalidades do Direito; e, segundo, por prestar uma condecoração ao importantíssimo Prof. Jorge Michalany.”

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