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09/07/2020 - Em live, Guido Palomba fala sobre burnout em tempos de pandemia

Na última quarta-feira, 8 de julho, Guido Arturo Palomba, diretor Cultural da Associação Paulista de Medicina (APM), debateu, em live transmitida no YouTube, “A dura vida do médico frente à pandemia” com a jornalista Izabella Camargo. Além disso, o psiquiatra forense comentou os resultados da pesquisa da APM sobre os sintomas mais comuns do burnout.

O levantamento apontou que mais de 50% dos 1.900 entrevistados possuem a síndrome. Palomba classificou a mudança de vida brusca em decorrência da pandemia como um dos fatores agravantes para o quadro. “Nós estamos passando por um período absolutamente atípico, de um momento para o outro fechou tudo, mudou tudo. Além disso, as notícias são perturbadoras e causam impotência em lidar com a situação.”

Segundo o especialista, essa situação demanda uma transformação interior de todos os indivíduos. “A grande maioria das pessoas teve que se adaptar a essa vivência dolorosa e isso tem consequências psíquicas. A pesquisa feita pela APM é nada mais do que o reflexo mensurável dessa vivência dolorosa que pegou o planeta”, explicou.

Os médicos, conforme opinião do psiquiatra, sempre fizeram parte de um dos grupos mais sensíveis à síndrome de burnout devido a grande carga de trabalho. Diante da pandemia, a situação passou a ser ainda mais evidenciada por conta dos casos de esgotamento físico e mental daqueles que atuam na linha de frente do combate à Covid-19.

“O médico, desde os primeiros anos da faculdade, se depara com as doenças, com o sofrimento, com a necessidade de curar, aliviar e confortar, este é o dia a dia do médico. Tudo isso, claro, causa um estresse, mas ele aprende a lidar. Quando vem essa sobrecarga imensa, mundial, com vivências dolorosas e notícias terríveis que ele não consegue controlar, é muito desgastante.”

O diretor da APM detalhou, ainda, que o aumento dos níveis de estresse dos profissionais que estão na linha de frente do combate também se deve ao medo de contaminarem as suas famílias. Segundo o especialista, quando os médicos estão diante de, por exemplo, uma cirurgia, apesar da concentração e do nervosismo que o procedimento possa trazer, ao terminar e sair do centro cirúrgico, não há perigo de contaminar seus entes queridos.

Palomba também indicou maneiras de evitar a síndrome de burnout – ou de ao menos lidar com ela. “É preciso ir atrás de ajuda. Algumas pessoas têm mais facilidade que outras para por isso em prática. É preciso ter um descanso diário, nem que seja de meia hora, mas é necessário procurar um momento para ficar com a cabeça livre. Além disso, é fundamental um descanso semanal, porque o diário acaba entrando em uma certa rotina. Nós precisamos desestressar conscientemente para conseguir relaxar, ou seja, sem ficar pensando nos problemas externos.”

Por fim, o especialista também aconselhou a desconexão nos momentos de tranquilidade, já que as telas contribuem para aumentar níveis de estresse e diminuir a percepção dos sentidos. Em sua opinião, apesar de a estrutura cerebral não ter mudado muito nos últimos anos, o universo biológico e psicológico dos seres vem evoluindo gradativamente. “Nós estamos nos adaptando a essa nova realidade. Eu tenho muita esperança no ser humano, na Medicina e acredito que através de tudo isso nós vamos tirar boas lições para o futuro”, encerrou.