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01/07/2019 - EPM recebe aula sobre doenças que se manifestam diferente entre gêneros
Nesta sexta-feira, 28 de junho, a Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (EPM/Unifesp) recebeu representantes da Associação Brasileira de Mulheres Médicas (ABMM) para uma atividade diferente. Foi oferecida uma aula sobre as manifestações distintas que as doenças apresentam entre homens e mulheres, com exemplos dentro das especialidades. A Associação também doou à instituição o livro “Principles of Gender-Specific Medicine”.
Marilene Rezende Melo, vice-presidente da ABMM e delegada da Associação Paulista de Medicina, iniciou a atividade agradecendo a alegria e a honra de “estar em tão prestigiosa instituição”.
Além disso, introduziu o tema: “Somente há 24 anos o mundo olhou para esta questão. Na 4ª Conferência Mundial de Mulheres, em 1995, estavam ministras e grandes personalidades que discutiram gêneros e descobriram que a mulher não é um homem pequeno. A partir daí a Organização das Nações Unidas (ONU) determinou que todas as iniciativas sociais, culturais, econômicas e, principalmente, de Saúde focassem em ambos os gêneros. Antes, pesquisas eram feitas somente em homens e os resultados valiam também para mulheres”.
Marilene também explicou a motivação de a ABMM realizar atividades como essa. Ao longo dos anos, em Congressos, as médicas viram ações em todo o mundo muito mais avançadas. Em São Paulo, foi aprovada a Lei Estadual 17.767/18, que inclui no estudo da disciplina de Clínica Médica um capítulo sobre as principais doenças que se apresentam de forma diferente em mulheres e homens.
“A partir de então, a Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo foi a primeira faculdade a seguir a lei. Agora, a EPM será a segunda. Para o futuro, esperamos que uma lei como essa se estenda para todo o território nacional”, declarou a patologista clínica.
Conteúdo científico
Na sequência, a diretora Científica da ABMM – São Paulo, Elizabeth Regina Giunco Alexandre, seguiu com as diferenças na Cardiologia. Ela mostrou que o infarto do miocárdio na mulher causa a morte em uma a cada três, superando inclusive o câncer de mama. Entre os sinais de ataque cardíaco nelas estão: pressão desconfortável, apertou ou dor no centro do peito que pode durar mais que alguns minutos ou desaparece e volta; dor ou desconforto em um ou ambos os braços, costas, pescoço, mandíbula ou estômago; e falta de ar sem desconforto no peito.
Já a diretora de Assuntos Científicos da ABMM, Francy Reis da Silva Patrício, tratou da obesidade e sobrepeso. Ela chamou a atenção para o fato de que as mulheres têm mais gordura corporal do que os homens e uma distribuição maior (de 80% a 90%) em depósitos subcutâneos.
“Para mim, estar aqui é motivo de muita satisfação. Primeiro pela recepção que tivemos e pela oportunidade muito importante que esse assunto seja trazido para uma universidade federal como essa escola. Além disso, esse local me traz muita satisfação, um anfiteatro tradicional, neste prédio histórico, me lembra não apenas os anos que vivi como aluna, mas também da defesa de meu doutorado, que foi aqui”, disse Francy.
Eliza Maria do Céu Batista Moreira Garcez, secretária geral da ABMM, por sua vez, abordou o tema sob o aspecto da Pediatria. Ela apresentou conceitos básicos como a infecção urinária, mais comum nas meninas. Também reforçou a necessidade de se conhecer as idades consideradas normais para o surgimento dos primeiros sinais de puberdade, para saber quando são casos precoces (mais comuns nas meninas) ou tardias (mais prevalente nos meninos).
A presidente da Associação, Fátima Regina Abreu Alves, trouxe uma apresentação que tratou das distinções no sono para homens e mulheres. Ela passou todas as características de aspectos como ciclo menstrual, gravidez e menopausa, afetando o sono em termos de ronco, insônia e síndrome de pernas inquietas, por exemplo.
Recepção
Receberam as médicas os professores da EPM Celso Ferreira Filho e Adagmar Andriolo. “Agradeço a presença e as brilhantes apresentações. Gostaria de dizer que já tivemos uma reunião com o diretor da Escola, Manoel Girão, com a ideia de comunicar esse evento. Ele, no entanto, ficou tão entusiasmado que achou que deveríamos transformar o tema em uma disciplina eletiva e, posteriormente, uma disciplina do currículo. O próximo passo, então, será elaborar um programa para seja oferecido aos acadêmicos de 4º e 5º ano a partir de 2020”, adiantou Andriolo.
Marilene Melo também fez questão de relembrar e agradecer o auxílio prestado pela APM, onde inclusive está sediada a ABMM. “Fizemos um folder com informações da manifestação distinta das doenças entre homens e mulheres e o então presidente, Florisval Meinão, deu todo o apoio para a distribuição, inclusive entendendo a ação como um projeto de saúde pública. Também agradeço o atual presidente, José Luiz Gomes do Amaral, pela continuidade do apoio”, completou.
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