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12/09/2018 - Fórum da Revista Exame debate os caminhos para a Saúde

Na última quarta-feira, 12 de setembro, a Revista Exame realizou um Fórum com o tema “Como recuperar a agenda da Saúde no Brasil”, no intuito de debater as diferentes questões e caminhos que o setor tem que encarar, tanto no âmbito público, quanto no privado. O diretor de Defesa Profissional da Associação Paulista de Medicina, Marun David Cury, esteve acompanhando as discussões, que julgou de muito bom nível.

“Foi um evento que debateu temas como a agenda de Saúde no novo ciclo político, o acesso, os custos no Brasil, a saúde privada, entre outros. Seria muito importante que todo o segmento médico tivesse consciência da gravidade desses problemas, podendo atuar em conjunto para, com inteligência e organização, combates os problemas da sustentabilidade da Saúde em nosso País”, declarou.

Claudio Lottenberg, presidente do United Health Group Brasil, foi um a falar sobre os desafios do próximo presidente. “Professores de Farmacologia viraram propagandistas de laboratórios e médicos incorporaram tecnologias que não necessariamente agregam valor no tratamento”, disse. Ele também tratou de âmbitos como formação médica, distância entre setores público e privado e a politização da regulação.

Em relação a este tópico, Marun Cury ressalta que é de extrema importância que os políticos entendam a relevância da Saúde. “Infelizmente, não estamos vendo nos programas dos partidos uma agenda que vise realmente o avanço. São falas vagas, vazias. Sem fundamento, por vezes. Um reflexo das indicações políticas para cargos de gestão da Saúde, que colocam pessoas sem conhecimento de causa para comandar o Sistema Único de Saúde (SUS).”

 

Custos e propostas

Outro momento de destaque do evento foi a participação de Gonzalo Vecina Neto, professor da Universidade de São Paulo e ex-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). “Li os treze programas dos presidenciáveis. É desastroso. Não existe em nenhum ali propostas claras para a área da Saúde. Alguns se comprometem com o SUS, mas isso é básico, não é discussão não mantê-lo”, analisou.

Para o especialista, é necessário, também, que se discuta o congelamento de gastos pelos próximos 20 anos, proposto pela emenda constitucional 95, também conhecida por “PEC do Teto” ou “PEC do fim do mundo”.

Sobre essa decisão política, o diretor da APM afirma tratar-se de algo que pode inviabilizar o SUS. “Irá retirar do sistema mais de R$ 200 bilhões. Isso resultará em uma população desassistida. E o povo não tem condições financeiras de arcar com planos de saúde, cada vez mais caros. Os políticos têm de ter sensibilidade com esse tema.”

O evento também debateu a saúde privada e seu alcance. Henrique Lian, diretor de Relações Institucionais da Proteste, defendeu a condição de todos os cidadãos como consumidores. “O paciente consome o plano, que consome os serviços do hospital, que consome os serviços de um médico. Há problemas no sistema, todos sofrem”, disse.

“É um tema que envolve ações de origem política e econômica. Mas também há um componente comportamental, que está tanto no paciente que vai para o hospital por qualquer motivo, quanto no médico que indica procedimentos desnecessários. Não há solução simples”, prosseguiu.

“Em função do excesso de internações hospitalares, os custos da Saúde estão aumentando muito. A própria tecnologia, por vezes, encarece muito as práticas. Ainda temos o problema, sério e não resolvido, de judicialização. Precisamos equacionar melhor, também, o uso do convênio, orientando os pacientes, a fim de evitar um desgaste no sistema. É importante debatermos todas essas questões. Não há Medicina sem médico, portanto somos figura importantíssima nessa cadeia de consumo e precisamos estar nessas discussões”, completou Marun Cury.

 

Com informações do site da Revista Exame

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