ÚLTIMAS NOTÍCIAS
16/08/2019 - Ginecologistas apontam falta de debate sobre PL que incentiva cesáreas no SUS
Na última quarta-feira, 14 de agosto, a Assembleia Legislativa de São Paulo aprovou o Projeto de Lei 435/2019, que incentiva o parto cirúrgico sem indicação médica na rede pública de saúde. A partir da 39ª semana de gestação, as mulheres poderão optar pelo parto cesariano no Sistema Único de Saúde (SUS). Agora, o projeto segue para sanção do governador João Dória, que ainda poderá veta-lo.
A Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo (Sogesp) se posiciona em favor da autonomia da mulher nos sistemas público e privado para optar pelo parto que achar mais conveniente. A entidade, entretanto, acha que o PL trata de um assunto muito importante, que demanda discussão prévia com os representantes dos sistemas de saúde, o Conselho Regional de Medicina e as sociedades de especialidade - como a própria Sogesp e a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo).
“Assim, poderiam ser melhor avaliados alguns termos que estão colocados no projeto”, argumenta Maria Rita de Souza Mesquita, vice-presidente da Sogesp. A ginecologista enxerga um problema na utilização do termo “parturiente” no projeto – que é a mulher em trabalho de parto. “Entendemos que neste momento de extrema fragilidade, entre as contrações dolorosas, o exercício da autonomia da paciente, a que tem direito, fica extremamente prejudicado. O ideal é que se utilizasse o termo ‘gestante’ destinado a mulheres em estado gravídico, por um período de 9 meses. Neste caso, a paciente, após ser esclarecida sobre os riscos e benefícios de cada tipo de parto durante o pré-natal, certamente teria o esclarecimento necessário para fazer sua opção."
Maria Rita também se preocupa com o possível aumento indiscriminado das taxas de cesáreas no estado de São Paulo em decorrência deste projeto. O Brasil, inclusive, já possui a segunda maior taxa de partos cesarianos no mundo, com um índice próximo de 55%. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que a taxa ideal deva ficar entre 10% e 15%.
É fundamental também ressaltar que a responsabilidade em oferecer infraestrutura e recursos humanos para cumprir este PL não pode recair sobre o médico, e sim deve ser suprida pelo sistema de saúde. "Sabemos que, em São Paulo, sobretudo no interior, há hospitais que não possuem equipe assistencial presencial - composta por cirurgião obstetra e médico auxiliar, assim como anestesista - fundamental para a realização deste procedimento", ressalta a vice-presidente da Sogesp.
Por fim, Maria Rita aponta como problemática a afirmação do PL que a realização de cesáreas reduz o número de casos de paralisia cerebral em crianças, já que este dado não encontra respaldo na literatura médica. Pelo contrário, há dados que comprovam que o aumento das taxas de partos cesarianos não traz modificações na ocorrência de paralisia cerebral”, finaliza.
Educação Médica
Valorização de Honorários
Financiamento da saúde
Carreira de Estado
Redução de impostos
Pesquisas Datafolha