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29/05/2020 - Guido Palomba fala sobre a história da loucura para alunos da Faculdade de Medicina de Itajubá

Na última quinta-feira, 28 de maio, a Faculdade de Medicina de Itajubá promoveu a palestra “História da Loucura”, ministrada pelo renomado psiquiatra forense e diretor Cultural adjunto da Associação Paulista de Medicina, Guido Arturo Palomba, de forma on-line.

De acordo com Guido, a História da Loucura começa a partir do momento em que o ser humano se depara pela primeira vez com algo diferente dele e de seus costumes. “Ele viu aquilo e precisou dar um nome para o que estava vendo, então passaram a chamar a loucura de ‘possessão demoníaca’, foi dessa forma que o homem classificou a primeira pessoa que ele viu com uma doença mental”.

O especialista abordou que pessoas nessas condições não eram bem-vistas perante a sociedade, uma vez que não conseguiam achar uma explicação para o que acontecia com elas. “Esses pacientes chegavam a ser levados para lugares totalmente desconhecidos e ficavam à mercê da sorte e, naturalmente, acabavam morrendo”, explica.

Na virada do século XVI para o XVII, o médico holandês Johann Weyer desmistifica o que se entendia por loucura e quebra o paradigma de que ela era uma espécie de possessão. No entanto, os pacientes ainda eram submetidos a tratamentos cruéis, ficavam acorrentados, amarrados em cadeiras, levavam choques e eram obrigados a viver na extrema miséria.

“Nesse contexto, surge Santa Dimphna, a padroeira dos loucos, que tem uma história muito curiosa. Os doentes mentais eram subordinados a viver em condições desumanas ao redor do mundo inteiro, mas existia uma cidade na Bélgica em que eles podiam ser livres. Era Geel, e o local onde eles viviam é conhecido como Vila dos Loucos. Desde tempos imemoráveis, os doentes mentais ou seus familiares iam peregrinando para lá com o intuito de fazer uma novena a essa Santa, que se observarmos a imagem, está dominando o diabo, ou seja, prendendo a possessão demoníaca e protegendo os seus devotos”, contextualiza.

Psiquiatria

Durante a passagem do século XIX para o XX, surgem grande pensadores e teorias fundamentais para a área da Psiquiatria, ainda que suas ideias fossem abstratas. “O mundo entra em uma revolução extraordinária em muitas áreas, principalmente na Química, cujas fórmulas tiveram um grande movimento, uma grande modificação. Em 1950, foi feito o primeiro antipsicótico e, até então, não existiam métodos de se lidar com a loucura, salvo as estratégias que beiravam a tortura”.

Guido explica que a chegada das décadas de 1980 e 1990 foram fundamentais para a psiquiatria europeia, porém, ao mesmo tempo, houve um grande desenvolvimento da indústria farmacêutica americana, passando a ocupar um espaço considerável no tratamento de

pacientes com problemas mentais. “Os Estados Unidos não tinham nenhum tipo de tradição na Psiquiatria e nenhum tratado relevante na área. Eles entram com uma força poderosa pelas indústrias farmacêuticas”.

Esse fator contribuiu para que acontecesse uma grande ascensão no uso de remédios. “A indústria farmacêutica, assim como qualquer outra, visa lucro. Eles precisam produzir e ganhar. Mas não está preocupada com o paciente ou com a cura de uma doença mental, seja ela qual for. Por isso, a Psiquiatria de hoje é totalmente dominada pelos psicofármacos, em detrimento de uma Psiquiatria humana”.

O especialista concluiu a palestra chamando a atenção para o uso de medicamentos fortes, como antidepressivos, para tratar problemas que vão além do diagnóstico psiquiátrico e salientou que é necessário cautela.

“Hoje, se vende mais antidepressivo do que analgésicos e antibióticos. Vemos crianças tomando, às vezes preventivamente, na mesma dose que um indivíduo idoso. Algo está errado. Se receita antidepressivo para parar de fumar, para crises menstruais, para engordar. Então, se não tivermos cautela, podemos estar condenados a tomar medicamentos dessa magnitude pelo resto de nossas vidas”, finaliza.

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