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02/09/2018 - I Encontro Paulista de Slow Medicine reúne especialistas
Em 1º de setembro, a Associação Paulista de Medicina promoveu o I Encontro Paulista de Slow Medicine (Medicina sem Pressa, em tradução livre), com a proposta de discutir a importância do resgate do tempo como parte fundamental para uma melhor abordagem médica. “Quero agradecer a Associação, que desde o ano passado nos apoia nesse projeto. Isso é essencial para nós, ainda mais por ser uma iniciativa muito incipiente no Brasil. Essa parceria excepcional nos dá estrutura para levar a filosofia e os princípios da Slow Medicine para o maior número de pessoas”, disse o coordenador do evento, José Carlos Campos Velho.
Moderando o primeiro módulo de apresentações, o diretor Científico da APM, Álvaro Nagib Atallah, reforçou a necessidade de estratificar os riscos dos pacientes. “A partir daí, podemos reduzir as dificuldades do assistido. E é fundamental que a Medicina Baseada em Evidências seja realizada com rigor. Entretanto, mesmo com a evolução significativa na área, nos últimos 20 anos, ainda carecemos de bons metodologistas e de pesquisas clínicas de qualidade”, disse, abrindo as palestras.
Assim, com o tema Medicina Baseada em Evidências, Iniciativa Cochrane e Slow Medicine, o palestrante Luis Eduardo Fontes falou da importância de se usar técnicas avançadas para análise clínica. “A Medicina e áreas da Saúde durante muitos séculos foram ensinadas com base na observação e em experiências de profissionais. Mas essa decisão clínica é suscetível ao viés psicológico, o que torna um simples diagnóstico em um processo perigoso.”
Para o professor de Medicina Baseada em Evidências, Medicina Intensiva e de Urgência da Fundação Escola Superior do Ministério Público (FMP), não há como negar o processo evolutivo da Medicina com a observação e a troca de experiência. “Mas isso sozinho não é suficiente para submeter outras pessoas a tratamentos e procedimentos que podem muitas vezes ser danosos, por mais experiência que o profissional possa ter, porque sua mostra pode ser viciada e não reflete a população em geral”, ressaltou.
Em seguida, o palestrante Dario Birolini, ao apresentar a abordagem A Arte e a Ciência da Avaliação Clínica, traçou um perfil comum do médico nos dias atuais, como a perda de individualidade, a exclusão de diagnósticos, o tratamento de doenças e não de doentes, a luta para sobreviver às custas de mais de um emprego e a sua dificuldade para se manter atualizado.
“Isso traz como resultado uma Medicina defensiva, com a proposta de diagnósticos, exames complementares e tratamentos da moda. E chegamos na adoção explosiva da fast medicine, com o uso de fármacos para qualquer desconforto, a fragmentação do atendimento, a não ajuda dos pacientes e a adoção sistemática de protocolos.”
Segundo Birolini, a adoção ‘cega’ de protocolos impossibilita a identificação dos aspectos físicos e culturais do paciente e suas qualidades genômicas, fisiológicas e psicológicas. “A avaliação clínica do meu ponto de vista tem de ser fundamentada de olhos nos olhos”, reforçou. São parte desse procedimento, de acordo o professor emérito da Universidade de São Paulo, a abordagem da história da moléstia atual (HMA), a análise interrogatória sobre os diferentes aparelhos (ISDA), o levantamento dos antecedentes pessoais, hábitos de vida e familiares e o exame físico completo.
“Na segunda etapa, é essencial informar o diagnóstico e as possíveis hipóteses diagnosticadas de forma clara, honesta e respeitosa; justificar a solicitação ou não de exames complementares e apresentar as possíveis opções terapêuticas; reconhecer as nossas próprias limitações e indicar outro profissional para assumir a responsabilidade; alertar o paciente, se necessário, para a conveniência de um acompanhamento a curto, médio e longo prazo; e colocar-se à disposição para esclarecer quaisquer dúvidas diagnósticas e terapêuticas. Por último, precisamos deixar claro que a decisão final é sempre do próprio paciente, desde que devidamente informado”, pontuou.
O segundo módulo do evento teve como foco o aspecto multidisciplinar da assistência. “A Slow Medicine é uma questão médica e de profissionais da Saúde, consolidada por meio do trabalho em equipe multiprofissional. O médico é considerado apenas um dos membros desse grupo, por isso, temos de ter exposições e discussões profícuas sobre essa realidade”, destacou Velho.
Nessa linha, foram abordados os temas: Psicologia e Slow Medicine, por Sylvia de Mello Silva Baptista; As Práticas Integrativas e a Medicina sem Pressa, por Daniela Lima; Bioética, Direito e Slow Medicine: interfaces, por Lívia Callegari; e Slow Nursing, por Maria Júlia Paes da Silva.
Fotos: Marina Bustos
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