ÚLTIMAS
22/05/2018 - I Jornada Multidisciplinar de Cefaleia atrai dezenas de participantes
Falar de dor de cabeça recorre a uma série de aspectos relevantes, inclusive psicológicos. “É uma causa comum na maioria das vezes, podendo ser uma manifestação não estrutural, como as cefaleias primárias, ou apresentar uma condição mais perigosa relacionada a doenças”, resume o neurologista Rogério Adas Ayres de Oliveira.
Esses aspectos, diagnósticos e tratamentos foram debatidos no último sábado (19), na sede da Associação Paulista de Medicina, durante a I Jornada Multidisciplinar de Cefaleia. “Quero parabenizar pela iniciativa, inclusive porque hoje, neste nosso primeiro encontro, celebramos o Dia Nacional de Combate à Cefaleia”, destacou a presidente do Comitê Científico de Dor da APM, Telma Zakka, ao dar as boas-vindas aos presentes. A data foi criada em 1978, no mesmo dia da fundação da Sociedade Brasileira de Cefaleia.
Na primeira exposição, Cefaleias primárias: aspectos diagnósticos, Oliveira falou dos desafios atuais de elaboração da análise precisa da patologia. “As cefaleias primárias desafiam a Medicina moderna porque carecem de elementos objetivos para o diagnóstico. Por isso, as classificações da Internacional Headache Society contribuem para essa orientação”. São consideradas as causas de enxaqueca, tensão e trigeminal, as quais correspondem a 90% dos casos registrados.
De acordo com estudos epidemiológicos, a cefaleia migrânea (enxaqueca) primária atinge entre 18% e 20% das mulheres e entre 6% e 8% dos homens. Os principais sintomas são cefaleias moderadas e de forte intensidade, predominantemente unilaterais, pulsáteis, comumente associadas a náuseas, vômitos, fono ou fotofobia, além do componente genético. “Ou seja, não é apenas uma dor de cabeça, é uma doença sistêmica que envolve uma série de alterações. Mesmo sem o sintoma aparente, o paciente tem alterações da sensibilidade”, explica o especialista, que também é coordenador Científico do Departamento de Dor da APM.
A cefaleia tipo tensão, mais prevalente na população, incide em 30% a 78% dos indivíduos no decorrer da vida, com sintomas de dores bilateral, occipito-frontal ou temporal, peso ou aperto na região cervical e caráter contínuo e oscilante. “É aquele tipo de patologia que a pessoa não procura o médico e, muitas vezes, se automedica. Esses analgésicos, tomados sem prescrição, podem levar a um risco de cronificação da doença”, alerta.
Por fim, as cefaleias em salvas (ataques de dor orbitária, supraorbitária ou temporal unilateral e intensa, com duração entre 15 a 180 minutos) são acometidas em 0,1% da população, tendo predomínio maior no sexo masculino, correspondendo a 85% das incidências. São outras cefaleias primárias, que necessitam de uma investigação específica: tosse, hípnica, atividade sexual, numular, quinadas ou punhaladas, ingestão ou inalação de líquidos frios e persistente.
Em termos de tratamento, segundo o neurologista, atualmente há grandes avanços na Medicina, com a produção de diversos anticorpos monoclonais. “Por outro lado, cada vez mais são veiculadas antigas práticas físicas e terapias de mente e corpo para o controle do estresse físico e emocional, associado ainda a um hábito alimentar saudável. Em suma, há um universo muito rico de alternativas para o tratamento.”
Dor crônica
Tratando do tema Cefaleia crônica diária, a diretora Clínica do Headache Center Brasil e chefe do Setor de Cefaleias da Unifesp, Thaís Rodrigues Villa, afirmou que a enxaqueca crônica é a patologia mais prevalente, sendo responsável por 6,1% de acometimentos no Brasil. “Estamos falando de pelo menos 10 milhões de pessoas, de acordo com estudos epidemiológicos, embora acredito que seja mais. É um número alarmante”, afirma.
Globalmente, atinge 2% da população, sendo 2,5 a 6,5 vezes maior em mulheres (1,7% - 4,0%) do que em homens (0,6% - 0,7%). “Aproximadamente 3% das pessoas com patologia episódica progridem para migrânea crônica a cada ano”, acrescenta a especialista.
Para o diagnóstico da doença, a diretora clínica explica que as dores são mais frequentes de 15 ou mais dias, durantes os últimos três meses, com pelo menos oito dias de cefaleia que feche critérios para a dor crônica. “Essa migrânea é muito prevalente, mas ainda pouco diagnosticada, afetando as atividades diárias e bem-estar da pessoa. Identificar os fatores risco modificáveis é fundamental para intervenção rápida. Lembrando que o plano terapêutico deve ser individualizado e multidisciplinar”, finaliza.
A jornada ainda contou com as aulas Alimentos, odores e cefaleias, por Raimundo Pereira da Silva Neto; Tratamento da migrânea: atualidades e perspectivas, por Caio Grava Meira Simioni; Práticas físicas e cefaleias primárias: princípios e prática, por Diego Toledo; Neuralgias e cefaleias trigemino-autonomicas: princípios da terapêutica, por Antonio Cezar Ribeiro Galvão; e Dor orofacial, por Sabrina de Souza Teixeira Lima.
Galeria de Imagem
Educação Médica
Valorização de Honorários
Financiamento da saúde
Carreira de Estado
Redução de impostos
Pesquisas Datafolha