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12/05/2020 - Mayo Clinic: Falsos negativos de Covid-19 podem levar à falsa segurança

Conforme os exames de detecção do novo coronavírus tornam-se disponíveis, é crucial que autoridades da Saúde busquem entender seus limites e o impacto que resultados falsos podem ter na tentativa de conter a pandemia.

Essa reflexão é da publicação Mayo Clinic Proceedings, em artigo que aponta que a sensibilidade do exame de reação em cadeia da polimerase via transcriptase reversa e as características de desempenho do exame em geral ainda não foram relatadas de forma clara ou consistente na bibliografia médica.

A médica Priya Sampathkumar, especialista em doenças infecciosas da Mayo Clinic e uma das coautoras do estudo, indica que as autoridades de saúde devem esperar uma onda menos visível de infecção oriunda de pessoas com exames com resultados falsos negativos.

Conforme a especialista, o exame de reação em cadeia da polimerase via transcriptase reversa é mais útil quando o resultado é positivo, sendo menos útil para excluir a possibilidade da Covid-19. “Um teste negativo geralmente não quer dizer que a pessoa não tenha a doença, e sim que os resultados dos exames precisam ser considerados no contexto das características e exposição do paciente.”

O estudo indica que, mesmo com a sensibilidade do exame alcançando 90%, a magnitude do risco associado a resultados falsos será considerável, à medida que o número de pessoas testadas cresce.

Segundo Priya, na Califórnia, que tem uma população de 40 milhões de pessoas, dois milhões de resultados falsos negativos são esperados após a realização abrangente dos exames. Mesmo que apenas 1% da população fosse testada, 20 mil resultados falsos negativos seriam esperados.

Os autores do estudo também mencionam os efeitos nos profissionais de Saúde. Se a taxa de infecção pela Covid-19 entre as mais de quatro milhões de pessoas que prestam serviços diretamente aos pacientes nos Estados Unidos fosse de 10% (muito menor do que a maioria das previsões), mais de 40 mil resultados falsos negativos seriam esperados, caso todos os profissionais fossem testados.

Esses dados, segundo a análise, constituem risco para o sistema de saúde em um momento crucial. “Atualmente, as diretrizes do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA para profissionais de Saúde assintomáticos com exames negativos poderia levar ao retorno imediato deles ao trabalho no atendimento clínico de rotina, com a possibilidade de espalhar a doença”, argumenta Colin West, médico da Mayo Clinic e principal autor do estudo, que também tem a coautoria do endocrinologista Victor Montori.

A Mayo Clinic Proceedings é uma revista mensal, revisada por especialistas, que publica artigos originais e análises relacionadas à Medicina laboratorial e clínica, pesquisa clínica, pesquisa científica básica e epidemiologia clínica. É patrocinada pela Mayo Foundation for Medical Educational and Research e tem o compromisso de instruir médicos, sendo publicada há mais de 90 anos, com autores de todo o mundo.