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11/12/2018 - Medicina brasileira lamenta a morte do infectologista Vicente Amato Neto
Morreu na última terça-feira, 11 de dezembro, o infectologista especializado em doenças tropicais e professor emérito da Universidade de São Paulo, Vicente Amato Neto, aos 91 anos. Foi superintendente do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, secretário de Saúde do Estado de São Paulo, diretor do Instituto de Medicina Tropical de São Paulo e um dos fundadores da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical.
O velório será nesta quinta, 13 de dezembro, das 10h às 14h, no Teatro da Faculdade de Medicina da USP, na Avenida Dr. Arnaldo, 455. O sepultamento ocorre no Cemitério do Araçá, localizado no número 666 da mesma avenida.
Segundo Ester Cerdeira Sabino, diretoria do Instituto de Medicina Tropical, Vicente Amato Neto passou a vida buscando pesquisar e ensinar na sua área de atuação. “Trabalhamos na mesma área, a doença de chagas. Tive aula com ele e digo que foi uma pessoa muito importante para manter vivo o tema das doenças tropicais.”
“Foi um grande pesquisador, com centenas de artigos publicados, e muitos livros. Também chefiou o departamento de Moléstias Infecciosas e Parasitárias da FMUSP – do qual faz parte também um de seus filhos, Valdir – por muitos anos. Alguém muito respeitado, uma figura admirada por todos”, completa Ester.
Em sua sala no Instituto de Medicina Tropical, como conta Reinaldo José Lopes à Folha de S. Paulo, abrigava um batalhão dos que apelidava jocosamente de “amigos”: centenas de bichos-barbeiros, os insetos que são vetores do micro-organismo Trypanosoma cruzi, causador do mal de Chagas.
Biografia
Amato Neto nasceu na capital paulista em 24 de julho de 1927, numa família de italianos que morava no centro da cidade. Curiosamente, no entanto, a principal presença de imigrantes nas vizinhanças da casa de seus pais, o alfaiate Arturo e a dona de casa Aída, era a de famílias japonesas, que estavam chegando a São Paulo em grande número.
Ao ingressar na Faculdade de Medicina da USP, em 1946, tornou-se o primeiro membro da família a cursar uma universidade. Depois de se formar, em 1951, participou da primeira turma de residência médica do País, junto com 28 outros formandos. A experiência no Hospital das Clínicas de São Paulo logo fez com que se interessasse pela área de doenças infecciosas e parasitárias.
No trabalho como médico e pesquisador, o infectologista centrou seus esforços em técnicas para investigar os mecanismos básicos dessas doenças e usar tal conhecimento para a prevenção. No caso do mal de Chagas, por exemplo, desenvolveu técnicas para flagrar a presença do Trypanosoma cruzi em sangue destinado a transfusões e evitar a transmissão da doença por essa via. Também se dedicou a entender o processo de infecção pelo parasita da toxoplasmose, o Toxoplasma gondii.
Durante sua gestão como superintendente no Hospital das Clínicas, de 1987 a 1992, chegou a ser sondado para assumir o Ministério da Saúde e recusou. No entanto, acabaria aceitando chefiar a Secretaria da Saúde de São Paulo, ficando menos de um ano no cargo. Mais tarde, afirmou que deixou o órgão por protestar contra irregularidades. Também dirigiu o Instituto de Medicina Tropical de São Paulo (de 1985 a 1988) e ajudou a fundar a Sociedade Brasileira de Medicina Tropical. Além de mais de dez livros voltados para o público acadêmico, publicou dois volumes autobiográficos, com o título de “Memórias Seletivas”.
Era apaixonado por futebol, e em especial pelo Palmeiras, herança do pai, o qual, segundo o infectologista declarou à Folha em entrevista de 2003, “só pensava no seu Palestra Itália”. Amato Neto capitaneou, por exemplo, a Confraria Alviverde, grupo de médicos palmeirenses. Quando estava na faculdade, logo entrou no “Peito Nu”, time de universitários que, como o nome deixa claro, jogavam sem camisa. E, mesmo quando já era professor emérito da USP, fazia questão de visitar a Associação Atlética Acadêmica Oswaldo Cruz, órgão esportivo da faculdade, e ajudava a organizar partidas.
*Com informações da Folha de S.Paulo
Foto: Leo Caobelli/Folhapress
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