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27/06/2018 - Medicina Desportiva em tempos de Copa do Mundo
O Congresso de Medicina Desportiva, organizado pela Associação Paulista de Medicina (APM) e pela Sociedade Paulista de Medicina Desportiva (Spamde), ocorreu entre os dias 8 e 10 de junho e nós separamos alguns insights sobre futebol e Medicina para esta época de Copa do Mundo. Abaixo estão alguns dos destaques do que foi tratado por Moises Cohen, diretor médico da Federação Paulista de Futebol (FPF), e por Mauro Silva, vice-presidente da FPF e ex-jogador, durante a conferência “Copa do Mundo 2018: quais as novidades esperadas na Medicina do Futebol?”.
Ensino e referência
A Fifa credencia, ao redor do mundo, serviços que são considerados pela entidade como centros de referência. Conforme explicou Cohen, normalmente a organização não permite que uma cidade tenha mais do que um destes. São Paulo, entretanto, possui dois: o da Universidade de São Paulo e o da Universidade Federal de São Paulo. “Apresentamos na Fifa o trabalhamo que é realizado em conjunto por aqui. Ter estes dois centros mostra o reconhecimento que temos e isso é muito bom. Esse fortalecimento e a troca de conhecimento nos deixa feliz, pois assim conseguimos aproximar colegas destes serviços e da residência médica.”
Mudanças de regras
O diretor médico da FPF também explicou o funcionamento das mudanças de regras no futebol. “No século XVII, o Rei Charles chancelou o futebol como esporte real. Isso foi o começo de uma globalização que aconteceu. Hoje, as inovações e modificações do futebol precisam ser aprovadas pela Fifa e por uma entidade que reúne os países do Reino Unido. Já temos a tecnologia da linha do gol e nessa Copa há o árbitro de vídeo. Nesta edição, médicos terão muito mais acesso as informações para a tomada de decisões, com a consulta à imagem.”
Desafio
Cohen atentou também para uma outra mudança de regras que irá afetar o trabalho médico: o aumento do número de seleções na Copa de 2026, talvez até para a edição de 2022, com 48 equipes ao invés de 32. “Teremos mais jogos com o mesmo período. Ou seja, mais desgaste, menos tempo de recuperação e maior exigência técnica. Obviamente a Medicina Desportiva não pode ficar parada. Tem que trabalhar em prevenção, fisiologia do exercício, treinamento, para que o atleta possa realmente ter uma melhor condição.
Atividades da FPF
Conforme explicou o especialista, que também é professor titular da Escola Paulista de Medicina da Unifesp, são diversas as atividades médicas realizadas pela Federação. Entre elas: a análise gratuita de 30 times de futebol antes do início da temporada; o acúmulo de dados que são entregues aos clubes; a entrega de 60 malas médicas para 60 clubes das séries A1, A2 e A3, com desfibrilador e material necessário para atendimento em campo; e o treinamento e a capacitação para os médicos dos clubes, com certificados de educação continuada.
Década de 90
“Em 1994, quando disputei a Copa do Mundo nos Estados Unidos, no meu entendimento os médicos atuavam com o tratamento em cima de contusões. Não havia este processo de prevenção praticado atualmente, incluindo diferentes cargas de trabalho. Aos 20 anos, eu já havia feito três cirurgias. Antes, um preparador físico empolgado queria mostrar serviço e nos fazia treinar muito além da necessidade. Como resultado, surgiam lesões”, avalia Mauro Silva, campeão mundial com o Brasil em 1994.
Evolução
Por outro lado, o ex-jogador entende que houve evolução, com os treinamentos, a carga de trabalho, a recuperação e a prevenção melhorando muito com o progresso da ciência, da informação e da tecnologia. “A participação da Medicina é mais intensa, com maior conhecimento para tomada de decisões. Deste modo, é possível antecipar as lesões e poupar os atletas. Exemplo do desenvolvimento médico no futebol é Zé Roberto, atleta que atuou em altíssimo nível até os 43 anos.”
Preparação
Mauro Silva também mencionou a exigência de qualificação teórica para treinadores, que passará a valer em 2019. “Se quero ser advogado, estudo Direito, se quero ser médico, estudo Medicina. Então, para ser treinador é preciso estudar. Em minha carreira de 11 anos de seleção brasileira e 13 anos de Europa, acumulei conhecimentos. Mas será que tenho aptidão na parte pedagógica? Será que sei transmitir minhas experiências? Não dá para virar treinador no dia seguinte. Essa é uma qualificação significativa: é muito difícil treinar um clube de futebol com pouca formação. O treinador precisa entender, entre outras coisas, tudo o que um médico pode fazer por um atleta. Uma formação mais ampla e consistente é muito importante”, declarou.
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