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17/12/2018 - Médicos aprendem sobre acesso e uso de informação científica com APM e Bireme

A Associação Paulista de Medicina e o Centro Latino Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde (Bireme) ofereceram, na última sexta-feira, 14 de dezembro, o curso “Acesso e Uso da Informação e Evidências Científicas em Ciências da Saúde”. O módulo foi conduzido por Rosemeire Pinto, bibliotecária da Bireme há mais de 15 anos e especialista em treinamentos de acesso à informação.

Rosemeire reforçou a importância do curso, já que a área da Saúde é a que mais produz informação científica em todo o mundo, com uma velocidade muito grande. Então, são muitos desafios: Onde consultar? Como acessar? Que tipo de informação se basear para tomar decisões clínicas ou de gestão?

“Hoje, procuramos de casa, do consultório, de vários lugares. São diversos caminhos. Também é desafiador manter a autonomia na pesquisa. Cada vez mais o trabalho do profissional da informação é levar aos médicos os dados mais claros. São 30 milhões de documentos disponíveis na área – é como procurar agulha no palheiro. Além disso, reforço que o médico deve manter sempre o pensamento crítico diante das informações, ainda que a revista ou o autor do artigo sejam muito renomados”, introduziu a palestrante.

Os presentes também discutiram acerca da necessidade de cada pesquisa. É importante que antes de realizar consultas às informações, todos se perguntem “Qual a necessidade da informação?”. Pode ser para fundamentação teórica de trabalho, para tomada de decisão clínica, para implementação de política de saúde ou mesmo para decisões emergenciais. O importante é o médico saber que a pesquisa para cada um dos casos terá suas particularidades.

Além disso, as fontes de informações na área da Saúde são diversas. O setor tem distintas plataformas e sistemas que oferecem acesso ao conhecimento científico. Entre elas estão a Biblioteca Virtual en Salud (da própria Bireme), a Cochrane Library, a Medline, a Lilacs, a SciELO, a PubMed, a Embase e a Trip. Ao todo, reúnem mais de 30 milhões de registros bibliográficos de artigos de mais de 9 mil revistas científicas, além de outros tipos de documentos, como livros, teses etc.

Bases de dados

Os alunos tiveram, inclusive, treinamentos de como pesquisar nas principais bases de dados. Rosemeire indicou as características de cada uma e abordou a importância do contexto e da tomada de decisão. “Por exemplo, a Lilacs oferece muito mais dados da América Latina do que a PubMed. Isso pode ser decisivo para a atuação”, disse.

A professora também mostrou aspectos técnicos de pesquisa e refinamento, como os operadores booleanos – usados para combinar termos e expressões de busca na maioria dos sistemas de informação. Funcionam na lógica dos conjuntos, são ferramentas como digitar “AND”, “OR” ou “NOT” para restringir ou expandir a busca ou o uso de aspas para encontrar temos exatos, entre outros.

Este curso teve sua gestação iniciada em abril deste ano, quando representantes da APM e da Bireme se reuniram na sede da Associação. Na oportunidade, as entidades decidiram contribuir com a propagação científica oferecendo cursos presenciais e a distância aos associados da APM e demais profissionais de Saúde.

“A nossa expectativa é, com essa parceria, oferecer a todos os médicos de São Paulo o estado de arte da comunicação científica. Tem-se, assim, mais um passo na qualificação da prática médica no Brasil”, disse, na ocasião, o presidente da APM José Luiz Gomes do Amaral, ao anunciar a constituição do laboratório de informática onde foi oferecido o curso deste dia 14.

Fotos: Osmar Bustos