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23/07/2018 - Médicos jovens debatem saúde, trabalho e tecnologia

Primeiro fórum dedicado aos novos profissionais é mais uma ação da APM em prol da representação do futuro da Medicina

A Associação Paulista de Medicina segue o trabalho de aproximação com os médicos mais jovens, indo em direção à tendência de juvenescimento da profissão. Nesse sentido, em 21 de julho, a entidade organizou – por meio da sua Comissão de Médicos Jovens, ligada à Defesa Profissional – o 1º Fórum APM Jovem. O encontro consistiu na discussão de três eixos principais: trabalho do médico, saúde do médico e futuro e tecnologia.

O diretor de Defesa Profissional da APM, Marun David Cury, foi responsável pela abertura do evento e reforçou a necessidade de renovação dos quadros para que a luta da Associação se mantenha sempre firme. “Queremos o ânimo e o fôlego de vocês, jovens, para mantermos o associativismo vivo e forte. Hoje, há várias questões ocorrendo com os médicos recém-formados e queremos que esses assuntos sejam discutidos, para que a APM possa lutar realmente por essas demandas”, disse aos presentes.

Na sequência, o presidente da Comissão do Médico Jovem da entidade, Gustavo Arruda Passos Freire de Barros, fez uma pequena introdução antes das explanações sobre os eixos. Segundo ele, este é um momento de revolução na Medicina, o que torna importante essa aproximação. “A ideia deste evento é que tenhamos diretrizes para a atuação desta comissão nos próximos dois anos, diferente do que foi conosco, que a começamos do zero. Espero que aqui esteja o embrião do futuro do grupo.”

Discussão
O primeiro eixo debatido foi sobre a atuação profissional do médico, abordando temas como as jornadas de trabalho, a carga horária, a remuneração e a violência contra os profissionais. Um dos pontos abordados na apresentação – conduzida por Barros – foi a educação médica: “80% das novas vagas em Medicina são particulares. A média das mensalidades é de R$ 8 mil, com algumas chegando até a R$ 18 mil. Além do grande número de profissionais que temos a cada ano no mercado, qual será a qualidade desta formação? Muito duvidosa. A realidade é que mais da metade dos médicos são reprovados no Exame do Cremesp. Podemos discutir o modelo de avaliação, mas não dá para fecharmos os olhos para o fato de que mais de 50% dos recém-graduados não passam na prova”.

O presidente da Comissão da APM também ficou responsável pela apresentação inicial do segundo eixo temático, focado na saúde do médico. Ele passou por assuntos como stress, burnout e abuso de álcool e drogas, além do suicídio. “Temos um movimento grande não só no exterior, mas no Brasil, de profissionais largando a Medicina. Temos que entender isso”, disse. Ele trouxe dados sobre o denominado Drop Out Club (clube dos que desistiram, em tradução livre), grupo de médicos que deixam a Medicina de lado para irem atuar em outras profissões.

Na sequência, Diana Lara Pinto de Santana, também membro da Comissão de Médicos Jovens da APM, trouxe reflexões acerca do futuro e da tecnologia na Medicina. Segundo ela, já há vários robôs sendo desenvolvidos para diversas atividades na área médica: desde o que serve comida aos pacientes de leito em leito, passando pelos que separam e preparam medicações e cadeiras de roda automatizadas.

“Além de todos os adventos tecnológicos da robótica, que por vezes são distantes de nós, existem outras questões, como as ferramentas de comunicação, que têm facilitado o diálogo entre médicos e pacientes. Quem nunca recebeu uma mensagem de paciente no meio da noite? É uma ferramenta cada vez mais utilizada, de extrema importância, mas que ainda gera dúvidas quanto à sua regulamentação. Bem como as redes sociais, em que há publicidade médica, como Facebook e Instagram”, refletiu.

Grupos de trabalho
Após as introduções expositivas, os presentes foram divididos em quatro grupos de trabalho para debater com mais detalhes e maior profundidade todos os temas apresentados. Por uma hora, médicos de diferentes idades, especialidades e experiências prévias puderam trocar informações e transformar o ambiente em um celeiro de ideias com o intuito de ultrapassar as barreiras atuais da Medicina.

Após as reflexões, representantes dos grupos dividiram com o restante dos presentes as elucubrações de cada um. Nesta etapa, falaram os médicos Telma Abdo de Oliveira, Aly Said Yassine, Raul Carlos Wahle e Pamela Fernanda Alves Barbosa. Todos os apontamentos foram anotados pelos membros da Comissão de Médicos Jovens da APM, que irá agora preparar um documento com encaminhamento de ações a partir dos debates estabelecidos.

Fotos: Marina Bustos

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