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25/07/2018 - Médicos são a bola da vez das fake news

Notícias falsas espalhadas em sites e redes sociais chegam à Saúde, com prejuízos e risco a profissionais de Medicina e pacientes

Uma extensa mensagem de áudio tem circulado no WhatsApp nas últimas semanas alertando sobre a capacidade de a cebola cortada atrair bactérias e, assim, provocar uma série de  doenças. Em mais um caso recente de fake news na área da Saúde, as pessoas eram incitadas a não tomar Paracetamol com a inscrição P-500, pois supostamente estaria infectado com o vírus Machupo (transmitido por uma espécie de roedor da Bolívia nos anos 1960).

A extensa lista de notícias falsas - divulgadas sobretudo por meio de redes sociais, sites e aplicativos de mensagens instantâneas – cresce exponencialmente, à medida que mais pessoas ao redor do mundo vão tendo acesso à internet e aos smartphones, e já prejudica o trabalho dos médicos e os tratamentos dos pacientes.

“A situação é lamentável. Infelizmente, a propagação das chamadas fake news é algo incontrolável e que denigre a imagem de pessoas e instituições”, ressalta Florisval Meinão, ex-presidente e atual diretor Administrativo da APM.

Meinão crê que chegará o dia em que o bom senso da sociedade prevalecerá na propagação das informações. Contudo, enquanto isso não ocorre, defende a tese de que a polícia especializada precisa agir com rigor para punir quem planta inverdades que causam prejuízos morais, financeiros e até ameaçam vidas, entre outras graves consequências.

De acordo com pesquisa do MIT (Massachusetts Institute of Technology), nos EUA, a chance de uma notícia falsa ser repassada é 70% maior do que a de verdadeiras. O estudo divulgado pela Revista Science em 8 de março deste ano analisou 126 mil notícias que circularam no Twitter entre 2006 e 2017 - publicadas por cerca de 3 milhões de pessoas e republicadas mais de 4,5 milhões de vezes -, sendo designadas como verdadeiras ou falsas com base na verificação feita por seis organizações independentes de checagem de fatos.

Conforme aponta a Universidade de Oxford, mais da metade do tráfego da internet é feito por bots, que são programas que simulam ações humanas repetidas vezes e de maneira padrão. Os chamados ‘robôs’ são capazes de fazer um tema se transformar em tendência, atacar uma figura pública, espalhar um boato e, inclusive, ser importante arma política.

Entretanto, a mentira na internet não é difundida apenas por robôs e por sites que disseminam notícias falsas – e faturam alto de acordo com a audiência que os conteúdos apelativos impulsionam. As próprias pessoas, tomadas por sentimentos de surpresa, repulsa e medo, também compartilham as fake news de forma abundante.

Em 2014, a história falsa de um menino que havia sido crucificado enganou muitas pessoas na Ucrânia e na Rússia, levando-os inclusive a um conflito armado. No ano passado, uma série de imagens antigas, usadas indevidamente, intensificou a crise do povo muçulmano (rohingya) em Mianmar, fazendo com que mais de 600 mil deles tivessem que buscar refúgio em Bangladesh.

CUIDADO NAS ELEIÇÕES
Para 2018, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) liberou a possibilidade de as campanhas políticas investirem em “impulsionamento” de postagem em redes sociais para divulgação de suas ideias.

Sinais da modernidade, é fato. Contudo, aumenta a preocupação com notícias falsas, disseminação de informações por robôs ou mesmo vazamento de dados. Se já ocorreu na campanha do presidente Donald Trump, o Brasil também não está imune.

Em entrevista à Folha de S. Paulo, o professor de Gestão de Políticas Públicas da USP, Pablo Ortellado, afirma que o apelo a sentimentos políticos das pessoas em um momento de polarização da sociedade faz com que as fake news se tornem ‘virais’.

Ele pontua que as “notícias falsas são desenhadas para atingir o coração com sentimentos fortes como medo, rejeição e surpresa”.

Não são apenas as eleições gerais do País, figuras públicas ou grandes corporações que as fake news podem afetar. Instituições da sociedade civil e entidades de classe, médicos e outros profissionais podem ser e muitas vezes são envolvidos em mentiras na internet.

A APM mesmo tem sofrido ataques de grupos inescrupulosos, que já vêm sendo investigados pelas autoridades competentes (veja na página ao lado).

No campo da Medicina, as fake news também podem afetar o exercício profissional e o tratamento dos pacientes – a exemplo da informação incorreta sobre o Paracetamol retratada no início da reportagem ou mesmo as correntes antivacinas que têm se fortalecido por conta das mídias sociais.

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COMO SE PREVENIR DAS FAKE NEWS

Conhecer a fonte da publicação, procurar checar os fatos e verificar se as pessoas ouvidas são relevantes são algumas dicas. Além disso, é importante ler além dos títulos, certificar-se da data de publicação e ver se a imagem corresponde à informação do texto. Quando estiver em dúvida sobre uma notícia, vale buscar o assunto nos sites e redes sociais de jornais e revistas renomados, por exemplo, que cada vez mais contam com equipes destinadas a checar informações geradas em redes sociais e aplicativos de mensagens instantâneas.

No caso de assuntos ligados à Saúde e ao trabalho das entidades médicas, a Associação Paulista de Medicina é fonte confiável para checar as informações, por meio de seu site (www.apm.org.br) e redes sociais – a APM está presente no Facebook, Twitter, Instagram e LinkedIn.

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Matéria publicada na edição 701 - julho/2018 - da Revista da APM

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