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13/04/2020 - Ministério da Saúde avalia estratégias de distanciamento em boletim epidemiológico

As estratégias de distanciamento social adotadas pelos estados e municípios contribuem para evitar o colapso dos sistemas locais de saúde, como vem sendo observado em países como Estados Unidos, Itália, Espanha, China e, recentemente, Equador. Essa é a avaliação do Ministério da Saúde, publicada no Boletim Epidemiológico 8, de 9 de abril.

O órgão aponta que essas medidas temporárias permitem aos gestores tempo relativo para a estruturação dos serviços de atenção à saúde da população, com consequente proteção ao Sistema Único de Saúde (SUS).

A recomendação do Ministério é de que as Unidades da Federação que implementaram medidas de distanciamento social devem manter essas medidas até que o suprimento de equipamentos (leitos, EPIs, respiradores e testes laboratoriais) e equipes de saúde (médicos, enfermeiros, demais trabalhadores de saúde e outros) estejam disponíveis em quantitativo suficiente, de forma a promover, com segurança, a transição para a estratégia de distanciamento social seletivo.

O Ministério da Saúde também utiliza o documento para esclarecer que nunca recomendou a adoção de qualquer medida de distanciamento social específica: “Esse ato deve ser adotado pelos gestores locais, com base em suas realidades epidemiológicas e estruturais”.

O texto traz a avaliação de que os leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) e de internação não estão devidamente estruturados e nem em número suficiente para a fase mais aguda da epidemia. O Ministério da Saúde diz que deve concluir com estados e municípios, nesta semana, um painel de acompanhamento real dos leitos disponíveis e ocupados que estão reservados ao atendimento de pacientes com Covid-19 – incluindo estratégias de Telemedicina, de atenção básica para casos leves e de cuidado intensivo em casos graves.

O boletim também lista os objetivos da resposta do SUS diante da pandemia:

· Interromper a transmissão de humano para humano e mitigar eventos que amplifiquem a transmissão;

· Identificar oportunamente casos suspeitos de síndrome gripal e de síndrome respiratória aguda grave, por meio de diagnóstico clínico e laboratorial;

· Isolar sintomáticos e prestar atendimento aos pacientes;

· Fomentar estudos e pesquisas para descrever a história natural da doença no Brasil, padrão de transmissão, gravidade, opções terapêuticas, desenvolvimento de medicamentos e vacinas, além de contribuir com o esforço internacional para investigar lacunas no conhecimento científico sobre a doença;

· Estabelecer mecanismos ágeis para registro, aquisição nacional e/ou internacional, distribuição, avaliação e monitoramento da qualidade de produtos, equipamentos e insumos relacionados à resposta à pandemia, de modo a incentivar a produção nacional;

· Estabelecer diretrizes institucionais para gestão e abertura de dados científicos e a implantação de boas práticas da ciência e dados abertos, garantindo transparência e monitoramento da sociedade e órgãos de controle de todos os processos de tomada de decisão, bem como combater a desinformação (fake news) e comunicar, diariamente, a situação epidemiológica, situação de risco e avanços na resposta em cada fase de enfrentamento;

· Minimizar o impacto social e econômico por meio de parcerias multissetoriais e em apoio às medidas de distanciamento social ampliado e seletivo adotadas pelos Estados, Distrito Federal e Municípios;

· Realizar o monitoramento dos casos notificados e óbitos, ocupação e instalação de leitos, suprimento de equipamentos de proteção individual, testes laboratoriais (moleculares e sorológicos), respiradores mecânicos, força de trabalho, logística e comunicação.

Atualização dos números

A publicação foi seguida pelo Boletim Epidemiológico 9, de 11 de abril, que trouxe novos números sobre a infecção por coronavírus. O documento também trouxe o cálculo do coeficiente brasileiro de incidência de Covid-19, que ficou em 98/1.000.000.

Amazonas (coeficiente de 250), Amapá (224), Distrito Federal (190), São Paulo (182), Ceará (172) e Rio de Janeiro (150), locais que registram número 50% maior do que a incidência nacional e são considerados em situação emergencial. Roraima (119) e Santa Catarina (101) – com números entre os 50% e a incidência nacional – se encontram em estado de atenção.

Já o coeficiente de mortalidade por 1.000.000 de habitantes no Brasil ficou em 5. Por Unidades Federativas, os maiores coeficientes foram registrados em Amazonas (13), São Paulo (12) e Rio de Janeiro (9) – todos 50% acima da média nacional. Em estado de atenção, estão Pernambuco (7) e Ceará (7).

O boletim também mostra a evolução de hospitalizações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) até a semana epidemiológica 14, na qual observa-se um incremento de 310% em 2020, em relação ao mesmo período do último ano.