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21/09/2020 - Ministério da Saúde divulga dados sobre suicídio de indígenas

O Ministério da Saúde publicou, em seu Boletim Epidemiológico, dados referentes ao suicídio da população indígena no Brasil durante os anos de 2015 a 2018. O suicídio, na definição da pasta, é um alarmante problema de saúde pública, que acomete populações ao redor de todo o planeta, e uma das 20 maiores causas de morte no geral e a terceira maior causa de mortes em jovens de 15 a 19 anos de idade.

Os dados dos óbitos foram obtidos pelo Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) e mostram que, durante os três anos de análise, foram registrados mais de 47.800 óbitos por suicídio no País. Dessa quantidade, 49,8% eram brancos, 46,7% eram negros (pretos e pardos), 1,1% eram indígenas e 0,4% amarelos.

A indicação demonstra que indígenas que vieram a óbito por meio de suicídio apresentavam escolaridade inferior aos não indígenas, visto que 16,5% deles eram analfabetos, comparados a porcentagem de 4,4% dos não indígenas sem alfabetização. No entanto, apesar do número reduzido de óbitos comparados às populações brancas e negras, os povos indígenas possuem maior risco de morte por suicídio, representando uma taxa de 17,5 óbitos a cada 100 mil habitantes.

O Centro-Oeste foi a região que apresentou as maiores taxas de mortalidade (35,6 mortes por 100 mil habitantes), seguida pelas regiões Norte e Sul. Além disso, se observou maior risco de mortes entre adolescentes e adultos jovens nas faixas de 15 a 19 anos (41,1 mortes por 100 mil hab.) e 20 a 29 anos (37,5 mortes por 100 mil hab.), concentrando 62% do total de óbitos dentro do grupo racial.

É possível perceber que houve um considerável aumento nas taxas dos anos de 2010 a 2018, alternando de 12,2 para 18,4 óbitos a cada 100 mil habitantes e representando um aumento de 50,9% dos casos, exponencialmente maior do que no restante da população.

O estudo mostra que transformações socioculturais e a passagem para a vida adulta são fatores que mexem com a saúde mental dos povos indígenas, que

acabam desenvolvendo problemas psicológicos como depressão e ansiedade - diretamente atrelados ao suicídio. Dessa forma, é importante destacar que a Secretaria Especial de Saúde Indígena do Ministério da Saúde vem batalhando para mudar este cenário, criando a Agenda Estratégica de Ações de Prevenção do Suicídio em Populações Indígenas e promovendo trabalho psicossociais com profissionais nas comunidades.