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01/09/2020 - Ministério da Saúde traça panorama da febre tifoide no Brasil

Neste mês de agosto, a Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde publicou, em seu Boletim Epidemiológico 34, um estudo descritivo do perfil epidemiológico da febre tifoide no Brasil entre 2010 e 2019. No período, foram 1.127 casos – 792 deles na região Norte, que concentrou 70,3% dos episódios.

Todo o País apresentou notificações confirmadas. No Nordeste, foram 206 (18,3%) e no Sudeste 100 (8,9%). Os números foram menores no Sul e no Centro-Oeste, que tiveram, respectivamente, 15 (1,3%) e 14 (1,2%) casos.

Os estados do Pará, Amapá e Amazonas foram os que mais confirmaram casos da doença, enquanto Roraima, Goiás e Mato Grosso do Sul não tiveram nenhum. Como 74,4% dos casos foram autóctones no município de residência dos doentes, esses dados, segundo o Ministério, podem nortear a doação de estratégias locais de prevenção e controle da febre.

O boletim também destaca que 58,2% dos doentes eram do sexo masculino, “o que pode ser atribuído aos hábitos de vida desses indivíduos, menos preocupados com as condições de higiene dos alimentos e dos ambientes em que foram preparados”.

E os jovens foram os mais afetados. Quase 29% dos casos ocorreram entre pessoas de 20 a 34 anos. Se a faixa for estendida até os 49, o número sobe para mais de 47%. As crianças de 5 a 9 anos também representaram faixa importante, concentrando 12,5% dos casos.

No período analisado, a incidência média anual da doença no Brasil foi de 0,05 casos por 100 mil habitantes. Para efeito de comparação, o valor é inferior ao observado no Marrocos, entre 2011 e 2017, que teve 0,7 casos por 100 mil hab., ou na França, em 2016, que teve 0,65 casos por 100 mil hab.

Febre tifoide
Esta é uma doença bacteriana aguda, de distribuição mundial, associada a baixos níveis socioeconômicos. É causada pela Salmonella enterica e caracterizada por febre alta, cefaleia, diarreia ou constipação e dor abdominal, podendo evoluir para perfurações intestinais, complicações em órgãos e óbitos.

Os humanos são os únicos reservatórios da doença, que é transmitida de forma direta (contato com o portador, por exemplo) e indireta (relacionada à água e/ou ao alimento contaminado). A doença pode ser tratada com antibióticos, embora tenha se tornado mais comum cepas de Salmonella resistentes a diferentes tipos de antimicrobianos.

Fatores de risco incluem a precariedade do saneamento básico, a insuficiência de boas práticas desde a cadeia produtiva dos alimentos até o consumo final, a carência de hábitos de higiene pessoal adequados e a ingestão de frutas e vegetais crus.

A Organização Mundial de Saúde estima que, ao ano, 11 a 20 milhões de pessoas adoecem no mundo por febre tifoide, resultando em cerca de 150 mil mortes. A presença da doença é mais notada na América Latina, na Ásia e na África.