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15/10/2019 - Outubro Rosa: Apenas uma em cada três mulheres entre 50 e 69 anos fazem mamografia

“A campanha Outubro Rosa é uma oportunidade ímpar para conscientizar a sociedade sobre câncer de mama. Sabemos que a redução de mortalidade pela doença depende de dois pilares: prevenção e diagnóstico precoce e disponibilização de tratamentos cada vez mais adequados, possibilitando cura imensa”, informa o membro titular da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (Sboc) Rafael Kaliks.

Com base nesses dois pilares, segundo ele, a ideia é fazer com que a população se conscientize e perca o medo de fazer o rastreamento. No entanto, embora haja a campanha anual de prevenção e engajamento de mulheres, a aderência à mamografia é ínfima em território nacional, principalmente, entre a população de 50 a 69 anos – para a qual o Ministério da Saúde recomenda a realização do exame.

“Se virmos a porcentagem de mulheres com indicação de mamografia que realiza de fato o exame anualmente ou a cada dois anos como forma de rastreamento, o índice é menor do que 30% no País, embora existam algumas regiões com números maiores. A realização do exame é ainda menor na saúde pública em comparação com a suplementar. Isso é um grande problema, porque para reduzirmos mortes por câncer de mama, necessariamente temos de ter uma aderência de, pelo menos, 70% da população elegível”, alerta o especialista.

A incidência do câncer de mama vem aumentando progressivamente, não só no Brasil, mas em diversos países do mundo. Isso muito provavelmente está relacionado aos hábitos de vida: obesidade, sobrepeso, tabagismo e excesso de consumo de álcool. “As mulheres têm engravidado menos e, consequentemente, amamentado menos, e a reposição hormonal em pós-menopausa são também é um fator de risco”, acrescenta Kaliks.

O oncologista defende que deveriam existir políticas públicas mais proativas no sentido de informar a população sobre as consequências de uma má alimentação e sedentarismo, por exemplo.

“Na prevenção primária, os destaques deveriam ser sobre os riscos da reposição hormonal durante a pós-menopausa; para as jovens, trazer informações quanto aos dados científicos recentes sobre os riscos do uso continuado de anticoncepcionais hormonais, por longos períodos (mais de 10 anos), o que também aumenta o risco de câncer de mama. Do ponto de vista de prevenção secundária, que é o rastreamento/detecção precoce, seria necessário um aumento significativo na proporção das mulheres que realizam a mamografia”, pontua.

Desafios
São inúmeros os desafios brasileiros para reduzir mortes por câncer de mama. Como já mencionado, a prevenção primária e a aderência da população a mamografias de rastreamento são os primeiros deles.

A disponibilização dos tratamentos e a realização/início do tratamento em tempo hábil, para as mulheres com suspeita e/ou diagnóstico já estabelecido, são outros pontos importantes. Do ponto de vista regulatório, de acordo com o especialista da Sboc, encaminhamento, referenciamento e contrarreferenciamento das pacientes com suspeita e/ou diagnóstico têm que ser melhorado.

“Em relação à aprovação ou incorporação de medicações novas, tanto na saúde pública quanto na suplementar, é preciso também se adequar melhor. Outro grande desafio para o Brasil é mudar o sistema do financiamento da Oncologia como um todo”, disse Kaliks.

A Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica tem tido um papel cada vez mais importante, tanto no estabelecimento de políticas de acesso a medicamentos - no qual assumiu recentemente seu papel como propositora, tanto na saúde pública quanto na suplementar – quanto do ponto de vista científico, balizando as solicitações por outras instâncias em termos de incorporação, que é justamente sua função: avaliar o que é cientificamente adequado para ser oferecido à população brasileira.

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