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23/10/2019 - Outubro Rosa: Brasil tem baixo índice de diagnóstico precoce do câncer de mama

Dificuldade de acesso ao sistema público de saúde e desigualdades socioeconômica e educacional têm relação direta com essa realidade, diz especialista

A mamografia é um exame fundamental para o diagnóstico do câncer de mama para mulheres acima de 40 anos. Em casos pontuais, por exemplo, jovens com risco genético podem começar a análise mais cedo. “É importante frisar à população em geral que a mamografia deve ser feita anualmente; é simples, rápida e econômica”, informa o presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia – Regional São Paulo, João Bosco Ramos Borges.

Borges explica que a ultrassonografia deve ser feita em situações específicas. “Quando você tem uma paciente muito jovem, com mama muito densa. Mas a mensagem importante é não acreditar que o ultrassom e a ressonância são instrumentos de diagnóstico precoce de câncer de mama. São indicados por mastologista que, ao examinar a mamografia, vê a necessidade de exames complementares.”

Testes genéticos devem ser utilizados apenas para investigação de casos com histórico familiar indicativo de câncer hereditário, seja por meio do sangue ou da saliva. “Existem painéis genéticos para identificar se a pessoa herdou aquela mutação, é o caso da atriz Angelina Jolie. No entanto, são casos pontuais - representam apenas 10% dos cânceres. Noventa porcento da população terá de realizar cuidados normais, já descritos aqui”, alerta o especialista.

Mesmo com os diagnósticos precoces eficientes, no ano passado, o País registrou 59,7 mil novos casos de câncer de mama. Dificuldade de acesso ao sistema público, carência educacional em Saúde e problemas econômicos têm relação direta com o baixo índice de diagnóstico precoce de câncer de mama, como esclarece Borges.

“Sabemos que a mamografia deve ser feita após os 40 anos. Mas o SUS só realiza o exame em mulheres com faixa etária entre 50 e 69 anos, a cada dois anos. O Ministério da Saúde justifica dizendo que não há recursos o suficiente para cobrir a população toda. Não adianta oferecer mamografia se há ainda dificuldade de acesso ao especialista. Quando sai o resultado, em torno de 40 dias, o paciente leva mais dois meses para passar com o médico”, critica.

Ele afirma ainda que a população não adere às campanhas por haver uma carência educacional em Saúde, refletida inclusive em seu desenvolvimento socioeconômico. “Desde a crise econômica, caiu muito o índice de realização de mamografia. Temos apenas 25% da população realizando o exame; precisaríamos de ter no mínimo 70%. Além de não termos uma aderência ao diagnóstico precoce e problema educacional em Saúde, não temos um programa de rastreamento organizado. Enquanto não mudarmos esse conjunto de desafios, vamos continuar gastando muito dinheiro porque o tratamento tardio da doença é mais caro.”

Para casos de confirmação de câncer, dependendo do avanço da doença, os pacientes devem ser submetidos a cirurgia, quimioterapia, radioterapia e/ou hormonioterapia. Como explica o presidente da SBM/SP, em diagnóstico inicial, o tratamento é baseado em uma cirurgia conservadora e radioterapia. Nos casos mais avançados, retira-se o máximo possível do tumor com uma margem de segurança, há reconstrução da mama, quimioterapia e radioterapia. “Deve ser um tratamento individualizado e customizado, de acordo com o fenótipo do tumor”, conclui o presidente da Sociedade.

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