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17/04/2020 - Para ter uma boa resposta imunológica, é fundamental cuidar da mente

A Qualicorp, grupo empresarial de comercialização e administração de planos coletivos de saúde, tem produzido lives em seu canal do YouTube e transmitido informações, orientações e notícias médicas sobre o novo coronavírus em seu portal, para clientes, parceiros e público em geral. No dia 16 de abril, o psiquiatra, escritor e comunicador Jairo Bouer e o superintendente médico da empresa Celso Evangelista abordaram o tema Corpo e Mente Saudáveis.  

“Há um mês, falávamos da ameaça da pandemia que estava por vir ao Brasil. Naquele momento, buscamos trazer alguns esclarecimentos a respeito do que seria essa nova doença que causava medo em alguns países do mundo. E hoje, o nosso objetivo é tratar das questões e dos efeitos colaterais que as medidas de contenção e proteção nos causam”, explica Evangelista.

Ele destaca que o momento de incertezas no campo de sobrevivência financeira e orgânica é um gatilho para o medo, um dos grandes problemas para a saúde emocional. “E como podemos lidar com isso? Eu faço um paralelo entre as relações imunológicas e as emocionais, e elas funcionam bem quando têm uma medida adequada. Adoecemos emocionalmente e organicamente quando há falta ou excesso de defesa”, acrescenta o superintendente médico da Qualicorp.

Bouer, que defende as medidas de isolamento social para reduzir a propagação da Covid-19, traçou quatro pontos relevantes sobre os efeitos da quarentena. 

Primeiro, segundo ele, é absolutamente normal que a maioria das pessoas tenha algumas dificuldades diárias de lidar com o distanciamento social. “É uma batalha diária, tem dias que estamos lidando bem; em outros dias, ficamos irritados, nervosos, chateados, dando pontapé na parede. A primeira grande questão é entender que essa dificuldade é absolutamente natural neste momento que estamos vivendo.”

No segundo momento, como experiência de boa parte dos países, vêm os transtornos emocionais. “Temos percebido muito mais gente com ansiedade, depressão e quadros de estresse. Afinal, há muitas incertezas, não sabemos quanto tempo temos de ficar em casa, quando podemos voltar ao trabalho etc.”

E o medo concreto de ficar doente ou ter algum familiar e amigo com os sintomas cresce com o cenário das preocupações. “Por fim, em um quarto ponto, quem mora sozinho, lida diariamente com a solidão, o distanciamento dos amigos e da família. E quem mora com a família, lida com a exacerbação dos contatos pessoais, vivendo na mesma casa o tempo inteiro”, acrescenta o psiquiatra.

Fazendo um paralelo com a evolução ancestral, Evangelista explica que o estresse é uma resposta fisiológica para preparar o organismo para situações de ameaças e nos proteger. “Ele não é para nos destruir, a ponto de nos levar a uma situação de síndrome de burnout. Temos de ter em mente que essa pandemia vai passar, como já aconteceu outras vezes na humanidade. É claro que há algumas novidades, interagimos mais uns com os outros virtualmente, isso ameniza nossas dores.”

 

Recursos

Em atendimentos on-line ou em redes sociais, Bouer tem recebido mensagens de pacientes, ex-pacientes e seguidores que relatam sobre o aumento de ataques de pânico, crises de ansiedade, transtornos obsessivos compulsivos, maior uso de drogas lícitas e ilícitas, compulsão alimentar, quadros hipocondríacos e episódios de violência doméstica.

“Tem muito a ver com o estresse do isolamento, as incertezas e os medos. É fundamental aprender ou tentar manter hábitos diários com esse isolamento. E como pensar na nossa rotina, no desafio de mais um dia dentro de casa? Estar bem neste momento, sob o ponto de vista imunológico, melhora obviamente a qualidade de vida”, reforça.

Para isso, o psiquiatra recomenda alimentação equilibrada, qualidade de sono ideal, atividades físicas e exposição ao sol dentro de casa ou apartamento, além de saber lidar com o estresse. “Como sabidamente o Celso já explicou, o estresse evolutivamente nos salvou de grandes percalços porque precisávamos de uma resposta aguda para sair de uma situação de perigo. No entanto, quando o sintoma está descontrolado, em longo prazo, realmente traz problemas e agrava nossa resposta imunológica.”

Ele pontua outras formas básicas adaptáveis para encarar um dia após o outro, como criar uma rotina para definir o horário da limpeza, do almoço, do cuidado com as crianças e do home office. “É importante, nessa rotina básica, tirar um momento de tranquilidade com a gente mesmo, por exemplo, assistir a um episódio de uma série que curto, ler um capítulo de um livro, meditar, ouvir música ou tomar um banho para relaxar.”

Também é preciso respeitar os próprios sentimentos. “Ficamos muito frustrados quando não conseguimos render como queríamos, no entanto, precisamos ser mais tolerantes com nós mesmos. O dia que estou mais ‘de boa’, posso interagir mais e até ajudar o meu parceiro, minha parceira, meus filhos ou meus amigos que não estão bem naquele dia. O dia que não estou legal, reservo a ficar comigo mesmo”, continua Bouer.

Na busca do equilíbrio emocional, é a vez de administrar os conflitos entre familiares e amigos, exercendo o cuidado de entender o momento do outro, para evitar conflitos desnecessários e pequenos diante de um contexto maior.

“Acima de tudo, se não estou legal, peço ajuda à minha parceira ou ao meu parceiro, ou interajo com as minhas redes de apoio. O uso dos recursos tecnológicos faz com que eu possa me aproximar dos amigos, filhos, namorada, namorado. E não hesite também em buscar ajuda profissional. Temos a Telemedicina, com psiquiatras, psicólogos e outros profissionais de saúde mental atendendo a distância”, aconselha o especialista.

 

Home office

Trabalhar em casa o tempo todo, divisão das tarefas domésticas, cuidar dos filhos... Muitas vezes, o profissional pode se sentir distante ou improdutivo, por “achar que só ficar em frente à tela do computador o dia inteiro o faz mais produtivo.” Pelo contrário, como destaca Bouer, é necessário criar uma área verde na própria rotina - tirar um tempo para fazer alongamento ou exercício físico, entre 5 e 10 minutos, por exemplo.

Já o superintendente médico da Qualicorp reafirma que a ansiedade cresce à medida que acreditamos que ocupar o espaço dentro de uma organização física nos traz segurança profissional. “Com isso, exacerbamos em reuniões on-line, a comunicação de modo geral vira um caos, e essa confusão não é produtiva.”

Ele ainda destaca que agora é o momento de o gestor medir o trabalho dos funcionários pelo desfecho, não pelo processo, para não causar mais estresse na equipe como um todo. “Precisa aprender a esperar o resultado do que foi solicitado e não controlar o horário, ou se está ou não fazendo. Todos precisamos ter autocontrole das demandas. Muitas empresas já estão entendendo isso como necessário, se não nem teríamos feito uma live como esta, abordando questões básicas para humanizarmos a nossa vida”, conclui.

O vídeo está disponível no site Qualiexplica: https://qualicorpexplica.com.br/coronavirus/#videos.