ÚLTIMAS

19/07/2018 - Pediatras reagem diante do crescimento da mortalidade infantil

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) está preparando um documento com propostas a serem implementadas pelo Governo – atual e futuro – com o intuito de brecar o avanço da mortalidade infantil, divulgado recentemente pelo Ministério da Saúde.

A taxa de mortalidade no Brasil, em 2016, ficou em 14 óbitos infantis a cada mil nascimentos. Para 2017, os dados ainda não foram consolidados, mas a previsão é de que a taxa fique, no mínimo, em 13,6 óbitos infantis a cada mil nascimentos – contra 13,3 em 2015.

A SBP publicou uma nota aos brasileiros em que se diz muito preocupada com a interrupção do ciclo de queda contínua do indicador, que já durava 26 anos. “A confirmação desse número aponta o encerramento de um ciclo positivo de quase três décadas. A sociedade tem se manifestado firmemente junto ao Ministério da Saúde e outros órgãos do Governo, cobrando providências para melhorar a qualidade da assistência para crianças e adolescentes”, destaca a presidente da SBP, Luciana Rodrigues Silva.

Na avaliação da entidade, a epidemia de zika vírus e os efeitos da crise econômica no País sobre a população não podem ser considerados como os únicos responsáveis pela alta desse indicador. “Devem ser empreendidos esforços das autoridades sanitárias, para entender as causas reais dessa tendência e adotar ações estratégicas para revertê-la”, aponta o comunicado oficial.

Dados compilados pelo Ministério e analisados pelo jornal Folha de S.Paulo mostram que desde o começo da década de 1990 o Brasil apresentava redução anual média de 4,9% da taxa de mortalidade. Valor este acima da média global de redução, estimada em 3,2% pela Unicef, em 2017.

A taxa de mortalidade infantil considera o número de mortos até um ano a cada mil nascidos vivos. Monitora-se ainda a taxa chamada de mortalidade na infância, que considera o número de crianças de até cinco anos mortas a cada mil nascidos vivos. Em 2016, morreram 36.350 crianças nessa faixa etária – 19.025 nos primeiros sete dias.

As contribuições dos pediatras brasileiros para este e outros debates relacionados à saúde das crianças e adolescentes estão sendo reunidas em um documento que será entregue às autoridades federais e aos candidatos das eleições nos próximos dias. As propostas incluem ampliação da oferta de leitos, a melhoria da infraestrutura de trabalho e a valorização do papel do especialista no atendimento.