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24/09/2019 - Presidente da APM participa de Congresso Internacional de Estudantes Médicos

Na última sexta-feira (20), o presidente da Associação Paulista de Medicina, José Luiz Gomes do Amaral, participou de uma atividade de sensibilização durante o Congresso Brasileiro Internacional de Estudantes Médicos (Braincoms, na sigla em inglês), no Anfiteatro Marcos Lindemberg da Escola Paulista de Medicina/Unifesp.  

O módulo foi conduzido por uma palestra do médico e escritor gaúcho José de Jesus Camargo. “Um exemplo em muitas áreas. Na Academia Nacional de Medicina, convivemos com as pessoas mais importantes da profissão e o professor Camargo está entre elas. Um dos maiores especialistas de pulmão do mundo. É autor de livros e escreve no mais importante jornal de Porto Alegre [Zero Hora]. É uma honra”, antecipou Rubens Belfort Jr., professor Titular da EPM/Unifesp.

Com a palavra, Camargo definiu a relação médico-paciente como a mais intensa relação não-amorosa entre duas pessoas que eram completamente desconhecidas, até que uma delas adoeceu. “É isso que abordaremos, trazendo algumas coisas que representam fundamentos básicos. A personalidade do médico, por exemplo, que tem atividade significativa em todo o curso de um tratamento. É a ‘primeira droga’ administrada ao paciente.”

O especialista também reforçou a necessidade de empatia na profissão. Se o médico não se colocar no lugar do paciente para que fale a mesma linguagem emocional, essa relação nunca se concretizará. Por isso, entende que esse é o grande conflito a ser equilibrado: de um lado a ansiedade do paciente com medo do desconhecido, com a perspectiva assustadora da morte, e do outro o médico com a sua atividade rotineira. A atividade passiva em relação a algo que o médico sabe fazer bem pode, por vezes, ser percebida como desinteresse pelo paciente.

O palestrante também lembrou que a Medicina é toda baseada em compaixão. “E a compaixão não é só vista, é tocada. O abraço é um componente dela. Então, digo que é possível ser muito feliz sendo médico, essa é uma bela descoberta. E estou completamente convencido de que, como médico, a melhor maneira de garantir o caminho da felicidade é fazer com que o maior número possível de pessoas tenha a atenção que, se não fosse nossa intervenção, não teria. Isso é propiciar felicidade a alguém”, concluiu.

Conversa
Após a palestra, Camargo formou uma mesa de debates com Belfort, Amaral e mais dois membros da Academia Nacional de Medicina, José Osmar Medina de Abreu Pestana e Rui Monteiro de Barros Maciel. “Quando nos sentimos contagiados pela compaixão, começamos a procurar uma forma de dar vazão. Entendemos que a ciência médica é uma forma de satisfaze-la. Quando começamos a carreira, vemos que compaixão sem ciência é uma vontade que não se materializa”, complementou o presidente da APM.

Além disso, Amaral acrescentou que esse sentimento de compaixão, junto da ética e da ciência, é o que faz os médicos cada vez melhores. Enalteceu também a capacidade de José de Jesus Camargo de equilibrar, em tão alto nível, a compaixão, a vontade de ajudar e a ciência.

Abordando a discussão sobre relação médico-paciente, disse: “Sempre que tenho um paciente, digo meu nome, sobrenome, de onde venho, quem é minha família, etc. E pergunto tudo isso a ele. Assim, é estabelecido um vínculo, a conversa tem um ponto de apoio. Me incomoda quando dizem ‘medicina humanizada’. Se é medicina, tem que ser humanizada”.

Medina também falou de sua estratégia para estabelecer uma conexão com os pacientes. “Sempre pergunto para que time torce. Se é Palmeiras, temos uma conexão. Se for Corinthians, ao menos um assunto em comum”, brincou. Assim, explicou, a assimetria da relação diminui e aquela pessoa que se deslocou e não está em uma posição de conforto tem outro tipo de recepção com o médico.

Por fim, Monteiro contou que quando se candidatou à Academia Nacional de Medicina, falou, nas entrevistas com os membros da instituição, com Camargo, e que ficou surpreso com a conversa ter ido rumo à literatura. Aos jovens presentes, recomendou que lessem os grandes livros da literatura – indicando “A morte de Ivan Ilitch”, de Lev Tolstói –, de onde podem tirar mais conhecimento e entendimento de mundo para as suas interações. 

Fotos: BBustos Fotografia

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