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16/07/2018 - Redução na cobertura vacinal preocupa a APM

Entidade incentiva a imunização nacional contra poliomielite e sarampo que começa em 6 de agosto e estuda novas ações

Na última sexta-feira, 13 de julho, a reunião de diretoria da Associação Paulista de Medicina (APM) teve como convidado Wimer Bottura, presidente do Comitê Científico de Adolescência da APM. O médico, que integra o Rotary Clube – instituição que realiza grandes campanhas de vacinação -, alertou sobre o retorno de casos de sarampo no País e sobre o risco do retorno da poliomielite, popularmente conhecida como paralisia infantil, que está controlada no Brasil desde 1990.

Conforme explicou Bottura, estima-se que o ideal para não haver penetração de uma doença é uma cobertura vacinal de 70% a 80% da população. Entretanto, o Ministério da Saúde divulgou recentemente uma lista com 312 cidades onde a cobertura vacinal contra a poliomielite está abaixo de 50% entre crianças menores de um ano.

O próprio convidado trouxe à APM a lista com as cidades no estado de São Paulo que estão com a situação mais crítica. Há municípios com índices de cobertura vacinal abaixo de 10%. Além disso, segundo informações do Portal R7, cinco estados confirmaram casos de sarampo: Amazonas, Roraima (estes dois juntos com mais de 500 casos confirmados), Rondônia, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro.

Diante dessa situação, o Ministério da Saúde fará, em todo o Brasil, uma nova campanha de vacinação contra a poliomielite e o sarampo, a partir do dia 6 de agosto, para crianças menores de 5 anos.

“Por não verem mais casos dessas doenças, as pessoas as desconhecem. Isso obriga as instituições a realizarem esforços maiores na divulgação das vacinas. A comunidade médica precisa atuar fortemente, mostrando sua força e presença. Temos que fazer isso com dados científicos e consistentes, em uma ação suprapartidária, supraideológica. Quem sabe o que é a poliomielite precisa fazer algo”, declarou o presidente do Comitê Científico de Adolescência da APM.

Segundo avaliação de Akira Ishida, vice-presidente da Associação esse é um problema que abrange toda a sociedade, não apenas os médicos. “Vem dos Estados Unidos uma onda contrária às vacinas, que tem piorado a situação. Precisamos ter embasamento científico e uma estratégia para informar toda a população e todos os profissionais de Medicina sobre o que está acontecendo.”

Para o diretor administrativo e ex-presidente da APM, Florisval Meinão, a cobertura vacinal tem de ser discutida sob diversos prismas. “O primeiro deles é que a geração atual de pais não conhece essas doenças. Por outro lado, há esses movimentos antivacinação, de diversas vertentes, que influenciam grande parte da população. E, ainda, há o momento delicado do nosso sistema de Saúde, muito deficiente em certos aspectos, com problemas de recursos e gestão”, completou.

Ações contínuas
Wimer Bottura também trouxe aos presentes a oportunidade de uma colaboração entre a Associação Paulista de Medicina e o Rotary Clube, organização internacional que tem o intuito de prestar serviços à sociedade de maneira voluntária, que inclusive incentivou a erradicação da poliomielite em quase todo o mundo. A ideia é que o clube esteja à disposição dos médicos e da sociedade para captar recursos financeiros que possam ser úteis nas campanhas pela vacinação.

O ex-presidente da APM também sugeriu que fosse estruturada uma comissão de diretores da entidade para debater o tema e propor novas ações. O intuito é que a Associação possa colaborar ativamente tanto na divulgação desta campanha de vacinação, que começa em agosto, como em um plano de longo prazo, em que trabalhem juntos os médicos, as autoridades de Saúde e os membros do Rotary Clube.