ÚLTIMAS
01/08/2017 - Retratação do ministro da Saúde é insuficiente
PRESSÃO DA APM E DA CLASSE FEZ RICARDO BARROS PEDIR DESCULPAS PÚBLICAS PELA FRASE OFENSIVA AOS PROFISSIONAIS DA MEDICINA, MAS A GRAVIDADE DA DECLARAÇÃO E A GESTÃO CONTURBADA PREOCUPAM
Não é de hoje que o ministro da Saúde, Ricardo Barros, descontenta a classe médica. Há pouco mais de um ano ocupando a posição, o engenheiro civil tem se complicado em meio às declarações infelizes, ações impopulares – como a redução do número de profissionais nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) – e muito pouco trabalho em prol da saúde brasileira. Não surpreende, portanto, o ataque que fez no último 13 de julho, quando disse que a adoção da biometria nas unidades de saúde faria “o médico parar de fingir que trabalha”.
Imediatamente, a Associação Paulista de Medicina divulgou uma nota de repúdio à declaração em seus meios de comunicação e para a imprensa e publicou comunicado no primeiro caderno da Folha de S. Paulo. Com a pressão da classe, o ministro se viu obrigado a realizar uma retratação e, em 20 de julho, declarou publicamente que “Nós estávamos falando que pagávamos pouco [aos médicos] e eles também não cumpriam a carga horária. O salário não era adequado. Todos os médicos do Brasil, não se sintam ofendidos, porque as nossas palavras não foram dirigidas a eles. Minha fala foi generalizada. Me referi exclusivamente a esses profissionais da atenção básica que não cumprem o horário”.
Para Roberto Lotfi Júnior, 1º vice-presidente da APM, essa retratação não vale de nada. “Toda vez que alguém que se diz entendido do setor da Saúde – o que não é o caso do ministro – coloca a culpa da situação do Sistema Único de Saúde (SUS) nos médicos, comprova que, de fato, não sabe do setor. É fácil colocar a culpa nos médicos que estão nas frentes de trabalho. Na realidade, todos sabem que a má gestão e o desvio de dinheiro público são os grandes culpados”, avalia.
Já para Clóvis Francisco Constantino, diretor adjunto de Previdência e Mutualismo da APM, o grande problema é a questão do peso de uma retratação e de uma declaração como a feita. “A afirmação do ministro foi muito contundente e teve repercussão nacional. É bem difícil, depois disso, que a opinião pública se inteire com a mesma intensidade sobre qualquer possível retratação. O ideal seria que ele pedisse exoneração, mas caso continue no cargo, seria bom que mantivesse a tônica de se retratar com os médicos.”
Projeto contra médicos
O 4º vice-presidente da APM, Akira Ishida, lamentaa declaração do ministro, pois, em sua avaliação, o político realmente acredita no que disse. “Infelizmente, penso que ele tem essa visão. Não foi um ato falho, ele acredita que os médicos não trabalham.” De acordo com ele, não apenas Ricardo Barros, mas toda a equipe deste Governo Federal e do anterior tentam culpar os médicos por todos os problemas que ocorrem na Saúde.
"É muito mais barato para o Governo contratar profissionais – como fez no programa Mais Médicos – do que comprar aparelhos de ressonância magnética, medicamentos, outros insumos etc. A Saúde é um dos poucos setores em que a inovação torna a prática mais cara, com novos tratamentos e equipamentos. Portanto, como o poder público não dá conta de suas obrigações e não tem dinheiro para manter um bom sistema, joga a culpa em nossos colegas”, finaliza Ishida.
Publicado na Revista APM - edição 691 - agosto 2017
Educação Médica
Valorização de Honorários
Financiamento da saúde
Carreira de Estado
Redução de impostos
Pesquisas Datafolha