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11/12/2018 - Roberto Kikawa é homenageado na Assembleia Legislativa do estado de São Paulo  

O médico e deputado estadual Carlos Bezerra Júnior organizou uma homenagem a Roberto Kunimassa Kikawa na noite da última segunda-feira, 10 de dezembro – data que marcou os 70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Conhecido pela criação das “Carretas da Saúde”, Kikawa foi morto a tiros há exatamente um mês, em 10 de novembro, numa tentativa de assalto no bairro do Ipiranga, em São Paulo.

“Roberto conseguiu transformar a dor da perda do pai em um a missão de vida. E assim nasceu o Cies Global, que é uma organização sustentável, que influenciou centenas de profissionais e melhorou a vida de milhões de pessoas que precisavam de um atendimento de saúde acessível, com agilidade, qualidade e tecnologia. E mais do que isso, um atendimento humanizado”, declarou o deputado na abertura do evento, que foi carregado de emoção.

De acordo com Bezerra, seu primeiro contato com o homenageado ocorreu há uma década, quando ele ainda era vereador. “O Roberto me trouxe um rabisco e falou que a ideia era fazer com que as carretas se transformassem em um modelo de atendimento para os mais pobres. ‘É um jeito de humanizar o sistema de saúde, racionalizar o atendimento e encontrar soluções para os gargalos do sistema’, ele me disse. Ouvi atentamente, achei ousada a ideia e falei para ele contar comigo para o que pudesse ajudar. Pouco tempo depois, fazíamos juntos um primeiro atendimento lá na Zona Leste de São Paulo, e dali para a frente surgiu uma amizade”, declarou.

Além de associado da Associação Paulista de Medicina desde 2000, o gastroenterologista conquistou o segundo lugar do Prêmio Dr. Cidadão, da entidade, em 2012. A diretora de Responsabilidade Social da APM, Evangelina Vormittag, participou da homenagem, assim como o presidente da Regional de Barueri, Radir Sabino Jr., que era amigo de longa data de Roberto Kikawa e participou da fundação do Cies Global, em 2008.

“Nos conhecemos na época da residência médica, no Hospital Heliópolis, quando nos deparávamos com pacientes chegando em estados avançados de algumas doenças por não terem conseguido fazer exames preventivos. Fomos evoluindo a ideia e conseguimos construir a primeira carreta.  Estou atualmente na coordenação dos atendimentos do Cies a Zona Sul de São Paulo. O trabalho do Roberto precisa continuar, e eu estou à disposição”, afirma Sabino.

O médico e secretário especial de Relações Sociais da Prefeitura de São Paulo, Milton Flávio Marques Lautenschlager, contou que à época achou genial a proposta das carretas da saúde: “Vivenciei a realidade de uma série de pequenas cidades, que não tinham como contratar alguns profissionais, que não tinham demanda nem recursos financeiros para que isso acontecesse.” Recentemente, ele conta que vinha se encontrando com Kikawa por conta do Corujão da Saúde. “80% dos exames do programa foram feitos pelo Roberto e pelo Cies, graças à coragem desse amigo, sem saber se aquilo que ele estava oferecendo seria remunerado de maneira adequada e suficiente pelo sistema público”, complementou.

 

Saudades da família

Em nome da esposa, Mirna, e dos filhos Daniel e Ana, o cunhado de Roberto Kikawa, o oftalmologista Marcelo Hatanaka, falou sobre o homenageado: “Lembro quando meu pai me chamou e falou ‘Marcelo, estou preocupado com a Mirna, porque o Beto está tendo umas ideias esquisitas. Ele quer montar um hospital’, isso em meio à nossa dificuldade em montar apenas um consultório. Aí eu falei ‘Deixa pai, o Beto é inquieto mesmo’. Depois, ele me chamou de novo e falou ‘Olha, acho que o negócio está complicando porque ele disse que vai enfiar esse hospital em cima de um caminhão e vai levar para as pessoas que não conseguem chegar nos hospitais’”.

Conforme seu relato, naquela época, ter uma carreta de saúde parecia uma coisa surreal. “Hoje, a gente vê e parece uma coisa tão simples, mas a ideia de alguém colocar um hospital em cima de um caminhão e espalhar pela periferia das cidades, pelos locais de baixo acesso, é algo brilhante. Alguém tinha que começar e essa pessoa foi o Roberto, ou Beto para nós. Nos encontros familiares, a minha esposa esperava ele chegar para eles dividirem o vinho, ele gostava de cozinhar para a gente, de mostrar coisas que ele comeu em outro lugar. Era um cara muito humilde e simples.”

Iseli Yoshimoto Reis, prima de Kikawa e colaboradora do Cies Global, também discursou emocionada: “O Beto era o primo responsável, o médico da família, todos nos consultávamos com ele quando tínhamos dúvidas de saúde, que estava sempre preocupado com todos. Ele tinha a habilidade de extrair algo mais de cada pessoa que o cercava. Ele me desafiou quando aceitei trabalhar com ele. Nem sei em quantas favelas eu entrei, em Heliópolis, no Morro do Alemão, na Colômbia, no Paraguai e até nos Estados Unidos. Que energia ele tinha, não parava! Tinha pressa de realizar o sonho que Deus colocou no coração dele”.

A homenagem contou com diversos pronunciamentos e presença de pessoas próximas à Roberto Kikawa, como integrantes da igreja Holiness do Bosque, da qual era membro, do próprio Cies Global e de entidades parceiras, como FlexiMedical, Rede Ashoka, Schwab Foundation e Sitawi Finanças do Bem.

 Fotos: Osmar Bustos

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