SAÚDE E SOCIEDADE

13/07/2021 - Saúde na imprensa 13/07/2021

Onda de fusões e aquisições movimenta o setor de saúde

O processo de consolidação do setor de saúde tornou-se mais rápido neste ano. Apenas as empresas de capital aberto movimentaram, entre janeiro e o dia 10 de julho, cerca de R$ 6,3 bilhões em fusões e aquisições, em especial, de hospitais e operadoras de planos de saúde. Desse montante, R$ 4,2 bilhões vieram de três grupos que lançaram ações recentemente: Rede D’Or, Dasa e Mater Dei. No ano passado todo, as empresas listadas fecharam negócios de cerca de R$ 8 bilhões. Em 2019, o montante chegou a R$ 10 bilhões, mas metade refere-se a à compra da São Francisco Saúde pela Hapvida. Segundo a consultoria Deloitte, o setor registrou, no acumulado do ano, 104 transações de compra e venda. A maior parte é de ativos ligados à prestação de serviços. Neste ano, os maiores cheques foram para aquisições de hospitais e operadoras verticalizadas de saúde. A NotreDame Intermédica pagou R$ 1 bilhão pelo Centro Clínico Gaúcho, operadora de Porto Alegre. A Rede D’Or desembolsou R$ 382,5 milhões por 51% do hospital mineiro Biocor. A rede mineira Mater Dei, por sua vez, adquiriu o Hospital Porto Dias, no Pará, por R$ 1,3 bilhão. Em Salvador, a Dasa comprou o Hospital da Bahia por R$ 850 milhões e a rede de clínicas Amo por R$ 750 milhões. A estimativa é que as transações vão ocorrer por mais três a cinco anos. Hapvida e Intermédica, que acertaram uma fusão, informaram que nos próximos três anos vão operar separadamente para prosseguir com as aquisições e não perder essa janela. As transações ocorrem porque metade dos hospitais no país tem menos de 50 leitos, abaixo dos 150 considerados necessários para ser rentável. Além disso, até 2015 era proibida a entrada de capital estrangeiro em hospital nacional. Para a consultoria BR Finance, há 278 unidades hospitalares na mira de investidores. Já o mercado de operadoras verticalizadas está mais restrito. Hoje, são menos de 20, informou o Valor Econômico nesta terça-feira (13).

Médicos peritos da Previdência acionam STF contra norma embutida em Medida Provisória

A Associação Nacional dos Médicos Peritos da Previdência Social (ANMP) ingressou no Supremo Tribunal Federal (STF), nesta segunda-feira (12), com ação de inconstitucionalidade contra norma da recente Lei 14.131/2021 que autorizou o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) a conceder benefício de auxílio por incapacidade temporária, mediante simples apresentação de atestado médico. Segundo o Jota sem obrigação de que tal atestado seja firmado por peritos médicos federais. Além disso, a ANMP sustenta que o dispositivo legal em causa foi embutido quando da aprovação pelo Congresso de uma medida provisória (MP 1.006/2020), que versava, originalmente, sobre o “aumento da margem de crédito consignado dos titulares de benefícios de aposentadoria e pensão do Regime Geral de Previdência Social durante o período da pandemia de Covid-19”. Na petição inicial da ADI 6.928, o advogado Paulo Liporaci acrescenta que: “De acordo com o pacífico entendimento firmado por esse Supremo Tribunal Federal (STF), são incompatíveis com a Constituição os dispositivos derivados de emendas parlamentares inseridas sem observância aos critérios de pertinência temática e de preservação da previsão de despesas”. O advogado da entidade nacional dos médicos peritos ressalta ainda que, “nos moldes delineados pela norma impugnada, os agentes responsáveis pela efetiva verificação da incapacidade laborativa (peritos médicos federais) não têm conhecimento da condição real do segurado, e são impedidos de realizar quaisquer verificações fisiológicas, simples ou complexas, inerentes a qualquer avaliação médica básica vigente no sistema previdenciário”. Tais como “a aferição da pressão arterial, a medição de temperatura, a auscultação, a realização de manobras ortopédicas”. Ou seja, “a União, a pretexto de facilitar o acesso aos benefícios previdenciários por parte dos efetivos titulares do direito a essa verba, imputa o grave ônus da fragilização do sistema previdenciário a todos os cidadãos”. A ministra Cármen Lúcia foi sorteada relatora desta ação.

Farmacêuticas faturaram mais de R$ 1 bilhão com 'kit Covid' na pandemia, segundo relatos à CPI

Apesar da polêmica em torno da eficácia do “kit Covid” contra a doença, a venda dos remédios que o compõem deu um salto na pandemia. O faturamento de sete empresas apenas com esses medicamentos foi de R$ 482 milhões de janeiro de 2020 a maio de 2021. Em 2019, antes da Covid-19, a comercialização ficou pouco acima de R$ 180 milhões. Em algumas empresas o crescimento foi sete vezes maior. O levantamento foi feito pela Folha de S.Paulo com base em documentos sigilosos e abertos enviados à CPI da Covid pelas empresas EMS, Farmoquímica, Momenta Farmacêutica, Abbott, Sandoz, Cristália e Supera Farma. Outras farmacêuticas, como a Apsen, Vitamedic e Brainfarma, não enviaram dados fechados de seu faturamento para a comissão, então o valor total pode ter ultrapassado R$ 1 bilhão. Entre os remédios listados estão cloroquina, ivermectina, nitazoxanida, azitromicina e vitamina D. A quantidade de medicamentos vendida que foi informada pelas empresas multiplicada pelo preço médio também comunicado nos documentos dá um valor de mais R$ 897 milhões gastos de janeiro de 2020 a maio de 2021.

Vacinas não devem ser combinadas sem orientação das autoridades, diz OMS

A Organização Mundial da Saúde (OMS) reiterou nesta terça-feira (13) que as pessoas não devem decidir por si mesmo sobre a combinação de vacinas contra a covid-19, notando que ainda há poucos dados sobre o impacto na saúde desse tipo de ação. De acordo com o Valor Econômico uma eventual decisão sobre a mistura de doses de diferentes laboratórios deve ser tomada unicamente pelas autoridades sanitárias públicas com base em dados disponíveis. Um dos estudos, recentemente publicado, indicou que as vacinas contra a covid-19 produzidas pelas farmacêuticas Pfizer/BioNTech e Moderna podem desencadear uma resposta imunológica persistente que garantiria uma proteção a longo prazo contra a doença. Essa pesquisa foi realizada com 41 pessoas, sob a direção de Ellebedy, imunologista da Universidade de Washington.