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20/08/2020 - SBP e Febrasgo apresentam dados sobre impacto da pandemia nos exames pediátricos e no pré-natal

61% por cento dos entrevistados afirmam que houve redução acentuada das consultas ao pediatra; o atraso no início das consultas de pré-natal foi observado por 52% dos especialistas 

A Covid-19 trouxe distintas relações de cuidados preventivos e sociabilidade. Diante desses novos desafios, no dia 19 de agosto, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e a Federação Brasileira de Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) apresentaram uma pesquisa, em coletiva de imprensa virtual, sobre como os especialistas da área avaliam os cuidados de seus pacientes, em termos de pré-natal e de realização de exames indispensáveis às crianças e aos adolescentes, frente à pandemia.

A pesquisa entrevistou 1.525 profissionais, sendo 951 pediatras e 574 ginecologistas-obstetras, no período de 20 de julho a 16 de agosto, através da ferramenta on-line SurveyMonkey.

A queda acentuada no número de consultas ao pediatra foi um dos pontos mencionados. 61% dos entrevistados afirmam que houve redução das consultas; 33% informam que houve queda moderada; 4%, estabilidade; e apenas 2% dizem que houve aumento.

“De fato, durante a pandemia, a ida à consulta ao pediatra diminui de maneira considerável, porque muitos familiares têm medo de levar as crianças ao médico. Sabemos que, apesar da pandemia, outras doenças acontecem, sobretudo, em pacientes crônicos, e precisam manter a consulta com regularidade”, destacou a presidente da SBP, Luciana Rodrigues Silva.

O maior temor das mães quanto a levar as crianças ao especialista é contaminar a si, a seu filho e a outros parentes – observação feita por 70% dos entrevistados. Como consequência, 73% avaliam que as crianças estão deixando de ser vacinadas.

“É um dos dados mais importantes desta pesquisa, porque consideramos que não se deve deixar de cumprir o calendário vacinal durante a pandemia. Elas precisam continuar a ser vacinadas. Muitos familiares não vão à unidade básica por desinformação, com medo de se contaminarem, quando sabemos que a ida ao serviço de saúde, desde que seguindo os protocolos de higiene e distanciamento social, não há nenhum problema. Não queremos que doenças que já diminuíram ou estão erradicadas voltem a nos assustar”, alertou Luciana.

83% disseram também que existe um temor de as mães infectarem as próprias crianças. “Os filhos representam o que há de mais precioso para os pais. Diante de uma pandemia, claro que é necessário ter todo o cuidado, sobretudo, quando os familiares trabalham em áreas de maior risco de contaminação. Então, é preciso explicar a importância da higienização e do distanciamento social, são essas medidas que diminuem a possibilidade de infecção”, explicou a presidente da SBP.

A pesquisa também mensura os efeitos psicológicos nas crianças e nos adolescentes. 88% tiveram alterações comportamentais. Luciana argumentou que no confinamento, além de trazer perda de atenção e maior irritabilidade, as crianças e os adolescentes passaram a ficar mais tempo em frente a dispositivos eletrônicos, resultando ainda em um maior ganho de peso corporal.

“A atividade física e o desenvolvimento de socialização são muito importantes. É preciso que neste período de pandemia os pediatras orientem os familiares de como envolverem atividades domésticas e de como fazer atividades para que os estímulos comportamentais das crianças não sejam comprometidos. As famílias precisam encontrar uma maneira criativa para estimular essas atividades corporais, procurando espaços abertos para brincadeiras e, assim, evitar que as crianças fiquem muito tempo em frente a telas, tenham alteração no ritmo de sono e alimentação excessiva”, sugeriu.

Pediatras preocupados
A pandemia também tem causado mudança comportamental nos especialistas. 95% estão preocupados com a sua própria segurança e de seus pacientes em termos de saúde.

“Eles estão cansados, tem medo de se infectar ou transmitir a doença para seus próprios familiares. Infelizmente, os pediatras e outros profissionais da saúde têm adoecido e alguns vieram a óbito em razão da infecção. Outra preocupação é que em muitos serviços não há pediatras para atender crianças e adolescentes. Esta é uma luta nossa de fazer com que atenção primária, secundária ou terciária sejam eficientes para criança e adolescente, e apenas o especialista habilitado e capacitado possa assisti-los.  Além disso, outras doenças continuam a acontecer e os prontos-socorros estão cheios, isso também preocupa os profissionais”, analisou Luciana.

Ginecologistas e obstetras
47% dos ginecologistas e obstetras disseram que a Covid-19 influenciou muito nas relações de trabalho; 44% por cento afirmam que o efeito foi parcial; e apenas 10% disseram que foram pouco afetados. 

Durante esse período, a rotina de assistência pré-natal foi alterada para 64% dos especialistas. E maior preocupação observado nas pacientes durante esse acompanhamento é o medo da contaminação vertical (gestante para o feto), avaliam 57% dos entrevistados.

“Muitas grávidas não se preocupam com o agravamento de uma possível doença nela. Sempre coloca em primeiro plano a saúde do feto. Cabe lembrar que a negligência consigo própria vem da ideia do espírito maternal.  No entanto, a preocupação hoje da Ginecologia e Obstetrícia é o risco de agravamento da Covid-19 na mulher grávida e de outras doenças. E a luz dos conhecimentos atuais, não há caso documentado de transmissão vertical com o novo coronavírus, como ocorre na relação por infecção do vírus zika”, explicou o diretor Científico da Febrasgo, César Eduardo Fernandes.

O atraso no início das consultas de pré-natal foi outro dado notado na avaliação de 52% dos especialistas.  No entanto, em geral, 80% dos entrevistados informam que as pacientes conseguem ir regularmente às consultas, nas datas corretas, quando começam o período de acompanhamento.

“A sífilis congênita no Brasil aumentou de forma alarmante para mais de 1.000%. Para que se possa fazer um tratamento adequado, o diagnóstico deve ser feito antes de 14ª semana de gestação. Depois disso, pode-se considerar que essa gestante tem sífilis na fase secundária e os estragos já estão feitos. Por isso, não se pode atrasar o pré-natal. A sífilis é só um exemplo diante de diversas outras questões”, esclareceu Fernandes.

Entre outras perguntas da entrevista, 90% avaliam que, com a Covid-19, é necessário orientar ainda mais as gestantes para a importância do pré-natal. Entretanto, as gestantes estão conscientes de que devem continuar respeitando o calendário de vacinação, informam 88% dos especialistas.

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