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25/11/2020 - Sleep Talks da APM segue debatendo apneia do sono
Os diagnósticos e as terapias adequadas para o tratamento da apneia obstrutiva do sono voltaram a ser discussão da Sleep Talks, série de lives transmitidas pela Associação Paulista de Medicina em seu Instagram. A última edição, no dia 24 de novembro, teve participação da médica do sono Fernanda Haddad. Mais de 400 pessoas participaram do evento virtual, coordenado pela otorrinolaringologista Tatiana de Aguiar Vidigal.
“Apesar de tratarmos a apneia obstrutiva do sono desde a infância ao idoso, os fatores de risco são muito diferentes. Acreditamos que na infância a doença esteja mais relacionada à anatomia e à inflamação da via aérea superior, porque muitos casos atendidos na nossa especialidade têm essa característica. Enquanto no adulto e idoso os fatores de risco passam a ser musculares em razão da idade e da obesidade”, sintetizou Haddad, que também é otorrinolaringologista.
Segundo ela, os tratamentos e enfoques são completamente diferentes nas distintas faixas etárias. Nas crianças, os sintomas da apneia muitas vezes trazem irritabilidade, déficit de atenção, alterações no crescimento e desenvolvimento e alterações esqueléticas faciais. “Ou seja, os eixos principais que merecem atenção são cognição, crescimento e desenvolvimento craniofacial”, resumiu. No paciente adulto e idoso, a sonolência e o quadro de fadiga são os principais sinais.
Na infância, levando em consideração as particularidades da criança, o tratamento cirúrgico, de maneira geral, é o mais adequado. “Eminentemente, é necessário desobstruir a via aérea para dar sequência às terapias de complementação, por exemplo, se há necessidade de uma fonoterapia ou se precisa reabilitar a parte muscular e respiratória. A grande dica que fica é: não basta só desobstruir a via aérea ou tratar a doença sob o ponto de vista inflamatório, tenho de fazer a reabilitação de todos os outros fatores. É um tratamento bastante disciplinar”, informou Haddad.
As crianças menores também são mais suscetíveis às infecções das vias aéreas superiores, eventualmente, com manifestações de quadros alérgicos. “Além do tratamento de vias aéreas, se houver uma desobstrução cirúrgica, não podemos esquecer de fazer um tratamento adequado para as infecções de repetição e rinopatias tão frequentes também nestas faixas etárias”, acrescentou. Conforme a criança começa a crescer, a partir dos 10 anos, essas alterações ocupam espaço menor.
No adulto e idoso, a doença se manifesta de forma multifatorial. A parte anatômica não tem papel preponderante, como ocorre na infância e adolescência. Os fatores de risco são associados ao envelhecimento, à obesidade, ao consumo de medicação sedativa e à doença hormonal.
A investigação médica precisa ser mais criteriosa para poder agir e tentar melhorar o quadro apresentado, como destacou Haddad. “Em casos leves, medidas comportamentais podem controlar os sintomas. No mais graves, as mais intervencionistas são necessárias. Via de regra, temos alternativas para vários tratamentos, além da utilização dos aparelhos de pressão aérea positiva (CPAPs), que mudaram história terapêutica do sono nos últimos anos.”
Entre sexos
Diversos estudos apontam que a apneia obstrutiva do sono é prevalente em quase 60% dos pacientes do sexo masculino. Nas mulheres, a incidência é maior na menopausa e pós-menopausa. “Mesmo assim, nas mulheres o quadro é mais leve do que nos homens. São manifestações diferentes e, às vezes, a escolha do tratamento pode divergir”, explicou Haddad, que atua como especialista do Instituto do Sono.
Tatiana Vidigal, organizadora do Sleep Talks, reiterou que a variabilidade da doença entre homens e mulheres sugere a necessidade de buscar terapias adequadas para ambos os sexos. “Pelo menos cronologicamente falando, muitas vezes o homem começa a desenvolver a doença na quarta ou na quinta década de vida e a mulher um pouco mais tarde. No homem, acarreta mais sonolência; na mulher, maior cansaço, fadiga e insônia.”
Tratamentos
Se o paciente eventualmente tem um quadro mais leve, Haddad recomenda terapias que vão desde as mais leves – como medidas comportamentais, clínicas, aparelhos intraorais para avançar mandíbula e aliviar a via área, fonoterapia, exercícios de motricidade orofacial e reposição hormonal – às cirúrgicas de via aérea superior, de esqueléticas faciais e de obesidade.
De qualquer forma, segundo a especialista, se o paciente do caso leve ao grave se adaptar bem ao CPAP, resolve uma parte importante de todos os sintomas.
“Em linhas gerais, a escolha do tratamento adequado leva em consideração as especificidades: faixa etária, sexo, gravidade da doença, o impacto dela na qualidade de vida, se tem alguma comorbidade instalada e a motivação. E o melhor tratamento será decidido em conjunto com o paciente”, finalizou Haddad.
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