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17/09/2019 - Suicídio é a segunda maior causa de morte entre jovens no mundo
“Temos certa aversão de falar sobre suicídio, que é um ato intencional de matar a si mesmo. Os fatores de risco incluem perturbações psicológicas, abuso de álcool, uso de drogas, atos impulsivos por estresse, dificuldades econômicas e síndrome de burnout.” Desta forma, o professor associado da Escola Paulista de Medicina/Unifesp, Gilberto Ohara, sintetizou o tema em palestra sobre prevenção de suicídio e burnout para os colaboradores da Associação Paulista de Medicina, na última segunda (16) - integrante das ações da entidade em apoio à Campanha Setembro Amarelo.
“O que faz uma pessoa se suicidar? A vida está tão ruim que não vê outra saída a não ser de tirar a própria vida”, diz Ohara. O professor destaca ainda que o Brasil é signatário do Plano de Ação em Saúde Mental, lançado em 2013 pela Organização Mundial de Saúde (OMS).
A redução da taxa de mortalidade faz parte dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) até 2030. E o País também assinou o Plano de Ação em Saúde Mental 2015-2020 lançado pela Organização Pan-Americana de Saúde para acompanhar o número anual de mortes e o desenvolvimento de programas de prevenção.
Levantamento da OMS aponta que, no mundo, mais de 800 mil pessoas tiram a própria vida por ano, e esta é a segunda maior causa de mortes entre jovens de 15 a 29 anos. No Brasil, segundo o Sistema de Informação sobre Mortalidade, 11 mil se suicidam por ano, em média; é a quarta maior causa na faixa etária dos 15 aos 29 anos; entre gênero, é a terceira maior causa entre homens e a oitava maior em mulheres.
“São dados para ficarmos alertas sobre o que está acontecendo e sobre o que podemos utilizar de informações para prevenir esse ato. E compreender porque essa faixa etária é mais vulnerável. Muitas vezes, o meio onde se vive pode ser um estímulo forte que leva ao suicídio”, analisa o médico, que é especialista em Mindfulness - técnica cientificamente comprovada que contribui para a redução de quadros de estresse e melhoria da qualidade de vida e de saúde.
Entre os médicos
Em 2017, o Conselho Federal de Medicina se reuniu com os conselhos regionais para identificar os principais problemas de saúde em médicos. “Ficou diagnosticado que a síndrome de burnout ganha destaque entre os sintomas mentais. Nesse levantamento, chegaram à conclusão que cerca de 45% dos profissionais em algum momento da vida tiveram sintomas da síndrome”, informa o professor.
Um estudo sobre a mortalidade dos médicos no estado de São Paulo, elaborado pelo Datasus, aponta que o suicídio foi a segunda maior causa de morte externa entre os profissionais da Medicina entre 2000 e 2009, com quase 40% de casos: 21% feminino e 18% masculino.
Burnout é um distúrbio psíquico de caráter depressivo, com sintomas físicos e mentais intensos, definido por Herbert J. Freudenberger como um estado de esgotamento físico e mental intenso, cuja causa está ligada intimamente à vida profissional.
No início da carreira, explica Ohara, o profissional tem a necessidade e o desejo de realizar-se, transformando em um obstinação e compulsão aquela necessidade do sucesso profissional. “Nesta aposta de todas as fichas, sofre com problemas de ordem psicológica e sintomas físicos de exaustão”, conclui.
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