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04/06/2020 - Tecnologia por trás dos testes da Covid-19 é tema de seminário on-line

Para abordar essas análises laboratoriais, a Roche Diagnóstica Brasil realizou um webinar com especialistas na última quarta-feira (3). O diretor de Valor Médico e Acesso da Rede Roche Diagnóstica, Micha Nussbaum, resumiu os tipos de testes: “A detecção do vírus, normalmente, é realizada através do RT-PCR, que significa nada mais do que procurar uma sequência específica do genoma, a substância hereditária do vírus. No entanto, após um tempo da manifestação dos sintomas, o vírus ‘desaparece’. Aí temos a sorologia, porque através do sangue vejo se há anticorpos contra o novo coronavírus”, explica.

Depois que a Organização Mundial da Saúde definiu como padrão ouro para o diagnóstico da Covid-19 o teste regular RT-PCR, o Brasil teve certo protagonismo, talvez raramente observado anteriormente, com informa o presidente da Abramed e diretor de Relações Institucionais do Fleury, Wilson Shcolnik.

“Estávamos tratando de uma doença nova. Não tínhamos agentes apropriados e fornecidos pela indústria no primeiro momento. Os primeiros kits tiveram que ser fabricados pelos laboratórios, além das dificuldades de equipamentos e de coletas. No entanto, no início da pandemia conseguimos dar algumas respostas, com poucos laboratórios realizando centenas de testes por dia. Com o andar das contaminações, hoje acredito que milhares de testes são realizados.”

Segundo ele, a atual crise tem mostrado a importância e o valor que os exames podem trazer para a saúde pública, através de inquéritos, soro epidemiológicos e vigilância epidemiológica, além de serem úteis para a prevenção de doenças. “Temos muitos biomarcadores que servem para identificar fatores de riscos, assim como a identificação de protocolos terapêuticos e de disfunções causadas por alguns medicamentos no momento de testagens.”

Políticas públicas
O médico sanitarista Gonzalo Vecina Neto, especializado em Saúde Pública, afirma que, apesar das dúvidas hoje geradas com relação à Covid-19, é importante ampliar as testagens para a identificação de contaminantes, ou seja, pessoas que podem contaminar as suscetíveis e a política de isolamento. “Se não tivermos esse isolamento, não teremos redução no número de casos novos. No entanto, não basta fazer o teste no sintomático, é necessário fazer em pelo menos cinco pessoas contatadas por ele.”

Números, segundo o sanitarista, apontam que 40% das pessoas com a doença são assintomáticas, 40% são sintomáticas, 15% são sintomáticas que precisam recorrer à assistência médica e 5% estão em unidades de tratamento intensivo. “Se eu conseguir os contatantes de primeiro e segundo graus não sintomáticos, acabamos com a cadeia de transmissão. Se não fizermos isso, não há controle da epidemia”, alerta.

Hoje, o Brasil tem capacidade próxima de 10 a 15 mil testes por dia. “Mas estamos fazendo de 3 a 4 mil testes por dia, porque a falta de liderança no Ministério da Saúde não permitiu que estabelecêssemos uma logística entre o setor público e o privado. Teríamos que realizar algo em torno de 15 mil testes diariamente para acompanhar a nossa população de 210 milhões de brasileiros e afastar a curva epidêmica”, conclui o especialista.

O presidente da Roche Diagnóstica do Brasil, Antonio Vergara, também participou do encontro, que foi mediado pelo repórter da Veja Saúde! e membro da Rede ComCiênscia André Biernath.