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01/06/2020 - Tratamento com heparina na Covid-19 é tema de evento on-line da APM Santos
Como anticoagulante de uso injetável pode prevenir na formação de trombos, em casos de tratamento da Covid-19? Para esclarecer o tema, a Associação Paulista de Medicina – Santos promoveu uma palestra virtual com Elnara Negri, pneumologista, intensivista e especialista em Endoscopia Brônquica, do Hospital Sírio Libanês, no último dia 28 de maio. O evento foi mediado pela presidente da APM Santos, Ana Beatriz Soares.
Hipoxemia grave em pulmões com complacência normal, fenômenos trombóticos frequentes e alterações laboratoriais hipercoagulantes são os principais quadros em pacientes acometidos com o novo coronavírus, em situação crítica, segundo a especialista, que também é pesquisadora da Universidade de São Paulo.
“Fizemos a análise quando vi uma senhora com sintomas de Covid-19, lá no Sírio Libanês, em estado grave, no dia 26 de março. Rapidamente, foi entubada. Havia evidências da coagulopatia da disfunção, diferente da síndrome de desconforto agudo. Percebemos que o pulmão tinha uma consistência normal, sendo fácil insuflar, mas ao mesmo tempo não conseguíamos fazer a oxigenação. Concomitantemente, ela apresentou trombose no dedão.”
Na infecção grave, o vírus entra pelo sistema respiratório e invade o epitélio respiratório, infectando suas células, a traqueia, os brônquios e os bronquíolos, inclusive a parede alveolar, além do aparecimento de trombose na microcirculação.
“Entre 10% a 15% dos pacientes apresentam essa evolução. A grande maioria, 85% dos acometidos, terão leves quadros sintomáticos ou mesmo assintomáticos. Lembrando que a formação grave ocorre em torno do sexto ou décimo primeiro dia, quando a pessoa infectada começa a manifestar piora, com febre reincidente, dor no corpo importante e hipoxemia”, explica a especialista.
Elnara ainda ressalta que a Covid-19 grave não é uma doença de fenótipos diferentes, mas é uma doença espectral em que ocorrem menos ou mais tromboses. “Se você frear o processo da hipercoagulação na entrada do primeiro estágio, talvez consiga evitar a evolução dos demais estágios”.
Em considerações finais da exposição, ela reitera que o risco trombótico é real, ocorre em todas as fases da doença e se correlaciona com insuficiência respiratória diretamente; a trombose ocorre apesar das doses profiláticas; e essa terapia deve ser ajustada em pacientes obesos e diabéticos, por serem grupos de risco.
Participações
O presidente da APM Estadual, José Luiz Gomes do Amaral, além do diretor de Defesa Profissional adjunto, João Sobreira de Moura Neto, foram alguns dos participantes do seminário.
“Há algumas semanas, tenho acompanhado de forma intercalada - dia sim e dia não - as aulas da Elnara pelo YouTube. É absolutamente fantástico o jeito que ela se comunica e o quanto é entendida do assunto. Em uma conversa recente pelo WhatsApp com dois colegas sobre o fármaco hidroxicloroquina, um deles questionou se é preferível um clínico experiente ou alguém que conhece estatística. Fiquei olhando aquela discussão e disse que preferiria ser tratado por um clínico experiente e que entendesse de estatística. No entanto, todos deveríamos, na verdade, consultar a Elnara porque ela conhece e tem experiência ampla em Medicina. Você é absolutamente fantástica, parabéns”, ressaltou Amaral.
A diretora da 2ª Distrital da APM, Sara Bittante da Silva Albino, também contribui com alguns questionamentos, diante dos sintomas já assistidos. “Como otorrinolaringologista, o que me chama a atenção é a queixa por falta de olfato, principalmente durante o período que não tínhamos muita evidência da doença, além de às vezes a virose causar surdez súbita - mas ainda não temos como relacionar e dizer que é um dos sintomas porque a maioria dos pacientes ainda não fala sobre. Outra coisa que estamos alertas é se gestantes que tiveram Covid-19 no primeiro trimestre terão crianças com problemas auditivos ou outras doenças correlacionadas”, concluiu.
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