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06/06/2019 - Trauma atinge índices alarmantes
A palavra trauma vem da etimologia gregra τραῦμα, que significa ferimentos. Desastres automobilísticos, quedas, queimaduras, violência e acidentes domésticos são alguns elementos de uma lista extensa, responsável por milhões de mortes em todo o mundo anualmente. E além dos óbitos, esta epidemia do nosso tempo também causa diversas sequelas em grande escala, entre psicológicas, mutilações, incapacidades físicas e perdas laborais.
Dados do Ministério da Saúde, divulgados também pela Sociedade Beneficiente Israelita Brasileira Albert Einstein, informam que os acidentes de trânsito foram responsáveis por ceifar a vida de 1,24 milhão de pessoas em 182 países, só em 2010. No Brasil, a cada ano, são registrados mais de 1 milhão de acidentes, matando cerca de 40 mil pessoas e deixando mais de 370 mil feridos.
Armas de fogo e armas brancas também têm grande representatividade nas estatísticas, assim como, no caso dos idosos, as quedas. A Organização Mundial da Saúde estima que entre 20 e 50 milhões de pessoas sobreviverão com traumatismos e ferimentos físicos, a cada ano, no período de 2020 a 2030.
"O trauma é um tema impactante para a sociedade em geral, com destaque para o grupo dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). Hoje, ocupa o terceiro lugar em mortes no mundo, depois das doenças cardiovasculares e por câncer. E em alguns países já ultrapassou o câncer e está na segunda posição", afirmam os especialistas Milton Steinman e Jorge Carlos Machado Curi, vice-presidente da Associação Paulista de Medicina.
Os custos para o sistema de saúde, especialmente o público, também são consideráveis. "Tauma não é fatalidade. Tem causas claras, de conhecimento público: recursos insuficientes em saúde e educação, altos índices de pobreza e de violência, urbanização desordenada e outras, além da omissão das autoridades em diversos níveis. Inexiste no País uma política pública de combate e prevenção, não há conscientização e orientação", complementam.
Para chamar a atenção da sociedade em relação ao alto índice de mortes e traumas em todo o mundo, decreto da Organização das Nações Unidas, divulgado em 2011, criou o movimento internacional Maio Amarelo, como símbolo de referência em conscientização e estímulo participativo da população, órgãos públicos e privados e entidades para as ocorrências de acidentes, principalmente automobilísticos.
Segundo Curi, em algumas regiões brasileiras onde as taxas de violência se sobressaem, tendo como alvo especialmente homens, jovens e negros, as sequelas traumáticas são mais perceptíveis em familiares, amigos e sobreviventes. "Por isso, as autoridades públicas e instituições como a APM devem ficar atentas a essa realidade, com o desenvolvimento de campanha permanente de conscientização, enfrentamento e reabilitação de ocorrência, não restrita ao mês de maio."
Partindo dessa realidade, a Revista da APM irá ampliar o debate sobre o tema, abordando seus diferentes aspectos. "Enfrentamos uma doença grave, com epidemiologia, fisiopatologia, morbidade e mortalidade conhecidas. A nossa perspectiva é também discutir a complexidade do trauma e soluções plausíveis com as nossas Regionais. Como já mencionado, precisamos debater com os colegas e a sociedade como esse mal devastador atinge sobremaneira a população no ápice da vida e da atividade produtiva. É nosso papel social enquanto médicos", conclui o vice-presidente da Associação.
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