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24/09/2019 - Um potencial suicida precisa de alguém que compreenda o mundo dele, diz Guido Palomba
Há três tipos de suicídio, descritos pelo psiquiatra forense e diretor Cultural da Associação Paulista de Medicina, Guido Arturo Palomba: aquele praticado por haver algum distúrbio mental; para deixar um culpado/homicida; e para acabar com um sofrimento difícil de suportar.
Por faixa etária, as taxas aumentaram, sobretudo, entre jovens de 15 a 29 anos, segundo novo relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS). “De maneira geral, esses índices se sobressaem violentamente, mais do que realmente é divulgado nas estatísticas. E sobre a população jovem, na minha concepção a causa prevalente tem relação com o mundo virtual”, destaca Palomba.
Segundo ele, os modelos estereotipados do ser bonito, rico, poderoso, bem socialmente, vinculado a seguir caminhos e tendências, forçam indiretamente o usuário a deixar de ser ele mesmo, em sua essência. “É um mundo no qual pessoas estão sempre na liderança, não existe a negação, só o like. No entanto, quando há um problema entre a imagem e a autoimagem, o jovem não tem ferramentas para lidar com a desilusão, com aquele momento existencial, então, estreita a consciência e se suicida”, explica.
Entre gênero, Palomba informa que os autoextermínios são relativamente iguais entre homens e mulheres. “Dependendo do país, é importante verificar como se estabelecem essas relações de privilégios; em outras palavras, quanto maior é a competição, maior é a ansiedade, a frustração e o nível de suicídio.”
Desafios e o papel da Medicina
“O suicídio sempre existiu, existe e existirá; sempre foi um tabu, continua sendo e provavelmente continuará no futuro”, acredita o especialista. Não existe fórmula mágica para enfrentar o autoextermínio. Em sua avaliação, o critério de abordagem multidisciplinar humanizada, direta e compreensiva é um ponto que deve ser levado em consideração, principalmente, quando se trata de jovens.
“Falamos da imensa exposição ao mundo virtual, que é causador de ansiedade, frustrações e problemas entre a imagem e autoimagem. Isso seria um ponto a ser abordado. O segundo são as terapias, um pouco desfocadas no tratamento, normalmente baseadas em prescrições medicamentosas que, na maioria das vezes, não funcionam. O paciente precisa de alguém que compreenda o mundo dele, que entenda o que está acontecendo, que possa abrir seus horizontes e dizer que a vida sempre compensa.”
Ele reitera ainda que o remédio não pacifica as questões do indivíduo. “Hoje, se dá antidepressivo na mesma posologia para crianças e adolescentes de 14 anos de idade e para pessoas idosas com mais de 90 anos. Certamente algo está errado. Aquela pílula pode diminuir a ansiedade, tentar melhorar o humor, mas aquele problema real continuará. E os pais devem ficar alertas quando o filho dá sinais com comentários ou mostrando-se depressivo.”
Todo potencial suicida, ou a grande e absoluta maioria, apresenta sinais. “Às vezes, mostra o desespero diante de fatos da vida, nunca é algo que estreita completamente a consciência. Quando isso ocorre, é aquele tipo de suicídio que já comentamos: ‘Eu me mato para deixar um assassino’. É um ato até às vezes em curto-circuito rápido, que apresenta tipos específicos de conduta”, resume.
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