ÚLTIMAS

24/01/2019 - Vacinas, dengue e HIV estão entre as 10 prioridades de Saúde da OMS para 2019

A Organização Mundial da Saúde estabeleceu para este ano ambiciosas metas. A agência da Organização das Nações Unidas quer ampliar o acesso ao atendimento, proteger os indivíduos de emergências de saúde, aumentar o bem-estar de um bilhão de moradores do planeta Terra e muito mais.

Assim, a entidade organizou dez prioridades para este ano, a fim de atingir todos esses objetivos. A lista inclui o combate à poluição ambiental e às mudanças climáticas, infecções transmissíveis como o ebola, a dengue, a gripe e o HIV, doenças crônicas e outros desafios de saúde pública [confira abaixo].

“No Brasil, praticamente todos os pontos levantados – exceto o ebola – envolvem a saúde pública. São questões como doenças crônicas, que estão se tornando um problema importante, visto o alto índice de mortalidade. Além disso, existe o problema da dengue, em que temos muitos surtos de difícil controle”, argumenta Florisval Meinão, diretor Administrativo e ex-presidente da Associação Paulista de Medicina.

De acordo com ele, outro ponto importante é alertar os médicos sobre a resistência antimicrobiana, mesmo com a obrigação de receita na compra de antibióticos. Para Meinão, de maneira geral, cabe ao Ministério da Saúde fazer campanhas de esclarecimento sobre os pontos.

O ex-presidente da APM também reforça a importância da atenção primária à saúde, levantada pela OMS. Conforme explicou, hoje há uma grande parcela de brasileiros que não tem acesso, sendo necessárias políticas que mudem esse cenário.

“Uma delas é a contratação de médicos, com uma carreira que lhes dê segurança jurídica. Isso disponibilizaria profissionais nas regiões mais distantes e nas periferias das grandes cidades. É um desafio a ser enfrentado, mas o atual ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, tem reiterado que é uma de suas bandeiras e o apoiamos integralmente”, finaliza.

PRIORIDADES DA OMS PARA 2019

  1. Poluição do ar e mudanças climáticas

Nove em cada dez pessoas respiram ar poluído todos os dias. Em 2019, a poluição do ar é considerada pela OMS como o maior risco ambiental para a saúde. Poluentes microscópicos podem penetrar nos sistemas respiratório e circulatório de uma pessoa, danificando seus pulmões, coração e cérebro. Isso resulta na morte prematura de 7 milhões de pessoas todos os anos, devido a enfermidades como câncer, acidente vascular cerebral e doenças cardiovasculares e pulmonares.

  1. Doenças crônicas não transmissíveis

Diabetes, câncer e doenças cardiovasculares são responsáveis por mais de 70% das mortes no mundo. Isso inclui 15 milhões de pessoas que morrem prematuramente, ou seja, com idade entre 30 e 69 anos. Têm impulsionado essas doenças os seguintes fatores: uso do tabaco, a inatividade física, uso nocivo do álcool, dietas pouco saudáveis e poluição do ar. Esses fatores também agravam problemas de saúde mental, que podem se originar desde cedo.

  1. Pandemia de gripe

O mundo enfrentará outra pandemia de influenza – o que ainda não se sabe é quando ela chegará e o quão grave será. A OMS está constantemente monitorando a circulação dos vírus influenza para detectar possíveis cepas pandêmicas: 153 instituições em 114 países estão envolvidas na vigilância e resposta global.

  1. Cenários de fragilidade e vulnerabilidade

Mais de 1,6 bilhão de pessoas — 22% da população mundial — vivem em locais onde crises prolongadas (combinação de fatores como seca, fome, conflitos e deslocamento populacional) e serviços de saúde mais frágeis as deixam sem acesso aos cuidados básicos que necessitam. Nesses contextos, metade das principais metas de desenvolvimento sustentável, incluindo saúde infantil e materna, permanece não atendida.

  1. Resistência antimicrobiana

A eficácia de alguns antibióticos, antivirais e antimaláricos está acabando. A capacidade de bactérias, parasitas, vírus e fungos resistirem a esses medicamentos ameaça mandar a humanidade de volta a uma época em que não era possível tratar facilmente infecções como pneumonia, tuberculose, gonorreia e salmonelose. A resistência aos medicamentos é impulsionada pelo uso excessivo de remédios antimicrobianos em pessoas, mas também em animais, especialmente os que são utilizados na produção de alimentos e no meio ambiente.

  1. Ebola

Em 2018, a República Democrática do Congo foi palco de dois surtos de ebola, que se espalharam para cidades com mais de 1 milhão de pessoas. Uma das províncias afetadas também está em zona de conflito. O plano da OMS identifica doenças e patógenos com potencial de causar uma emergência de saúde pública, mas que carecem de tratamentos e vacinas eficazes, como o ebola, febres hemorrágicas, vírus zika e Nipah, síndromes respiratórias por coronavírus e aguda grave etc.

  1. Atenção primária de saúde

Esse é geralmente o primeiro ponto de contato que as pessoas têm com o seu sistema de saúde e, idealmente, deve fornecer, ao longo da vida, cuidados integrados, acessíveis e baseados na comunidade. Os cuidados de saúde primários podem atender à maioria das necessidades de saúde de uma pessoa ao longo da sua vida. Sistemas de saúde com uma atenção primária forte são necessários para se alcançar a cobertura universal de saúde.

  1. Relutância em vacinar

A hesitação para vacinar ameaça reverter o progresso feito no combate a doenças que podem ser prevenidas por meio da imunização. Trata-se de uma das formas mais custo-efetivas para evitar doenças e fatalidade. Atualmente, vacinas previnem-se cerca de 2 a 3 milhões de mortes por ano. Outras 1,5 milhão de mortes poderiam ser evitadas se a cobertura global de vacinação tivesse maior alcance.

  1. Dengue

Essa infecção tem sido uma crescente ameaça de saúde nas últimas décadas e pode ser letal — a enfermidade mata até 20% das pessoas que desenvolvem sua forma grave. Estima-se que 40% de todo o mundo está em risco de contrair o vírus da dengue: são cerca de 390 milhões de infecções por ano. A estratégia da OMS para controlar a doença visa reduzir as mortes em 50% até 2020.

  1. HIV

O progresso contra o vírus tem sido enorme, com fornecimento de antirretrovirais para 22 milhões de pessoas em todo o mundo, além do acesso ampliado a métodos de prevenção. Apesar disso, a epidemia continua a se alastrar, com quase 1 milhão de pessoas morrendo anualmente em decorrência do HIV/AIDS. Atualmente, em torno de 37 milhões de indivíduos em todo mundo vivem com o HIV.

Confira o material completo da OMS aqui.